Lula tenta seduzir dirigentes do PT anti-Haddad

Ex-presidente chama José Dirceu, Rui Falcão e presidente da sigla em SP para conversas e dá sinais da preferência; ministro participará de ''caravanas''

Julia Duailibi e Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2011 | 00h00

Para garantir a adesão da máquina petista à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está costurando o apoio de prefeitos do partido com alta popularidade, sobretudo na região do ABC e região metropolitana da capital, ao nome do ministro da Educação e, ao mesmo tempo, organizando reuniões com dirigentes que defendem outro candidato para a disputa, especialmente a senadora Marta Suplicy.

Na terça-feira, Lula conversou com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente do partido na capital, Antonio Donato, e o vereador Francisco Macena no Instituto da Cidadania, em São Paulo. Dias antes, Lula teve uma reunião reservada com o ex-ministro José Dirceu, que já havia criticado a interferência da direção partidária no debate sobre prévias. O PT quer mudar o estatuto e criar obstáculos para as disputas internas antes das eleições.

Internamente, Lula não faz uma pregação explícita sobre a candidatura de Haddad nem veta a realização das prévias. Mas, considerado no PT um dos maiores entendedores do partido, Lula manda recados sobre a preferência, constrangendo os rivais de Haddad ao defender um nome novo na disputa.

No atual cenário, a ex-prefeita Marta Suplicy é a principal adversária de Haddad. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse a interlocutores que não quer concorrer.

Mercadante conta com o apoio da presidente Dilma Rousseff para se lançar ao governo de São Paulo em 2014. Se o ministro não for um obstáculo para a candidatura de Haddad - a prioridade de Lula no momento -, poderá contar também com a simpatia do ex-presidente para a sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB).

Agendas. Enquanto tenta minimizar as resistências no PT e cercar as ambições do grupo mais identificado com Marta, Lula orientou Haddad a oficializar internamente a intenção de se candidatar. O ex-presidente acha, inclusive, que ele deveria ter atitude mais proativa em relação à candidatura. Haddad foi instruído a procurar, nos próximos dias, Rui Falcão e Donato para anunciar o desejo de concorrer.

Além disso, o ministro deverá solicitar uma reunião partidária com os integrantes da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), o grupo majoritário do PT. Na avaliação de dirigentes da sigla, se o ministro conseguir o apoio de 40% desse grupo, tendo Lula como cabo eleitoral, dificilmente alguém dentro do partido vai levar adiante a intenção de disputar as prévias.

No próximo fim de semana, Haddad vai acompanhar os dirigentes petistas nas chamadas "Caravanas Zonais", encontros partidários em vários bairros e regiões da capital para pavimentar a disputa de 2012. Tradicionalmente, as caravanas são consideradas uma espécie de preparação para as prévias, em que todos os nomes que postulam concorrer apresentam-se aos militantes e dirigentes.

As caravanas começam no próximo final de semana e vão ser realizadas todos os sábados e domingos, em diferentes regiões, até o dia 30 de outubro.

Também num jogo combinado com Lula, o ministro espera contar com manifestações públicas de apoio da presidente. Na terça, Dilma chamou Haddad para uma audiência.

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