Lula tomou a ´franquia da compra de votos com comida´, diz FT

O jornal britânico Financial Times (FT), principal jornal de finanças e economia da Europa, diz em sua edição deste sábado que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se apossou da "franquia de compra de votos com comida" que pertencia a oligarcas políticos do norte e nordeste do país. Em artigo intitulado "Lula prestes a recolher rica recompensa por esforço de aliviar pobreza", o jornal diz que a ajuda financeira concedida às camadas mais carentes graças ao Bolsa Família e outros programas de transferência de renda deve garantir os votos dos eleitores pobres nas eleições deste domingo. O jornal diz que o sucesso desses programas teria beneficiado 12 milhões de famílias e aumentado o poder de consumo das populações mais pobres, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.Esse sucesso teria causado uma transferência em massa de votos do PMDB e PFL para o PT. "Essa transferência foi particularmente forte na Bahia e outros estados pobres", diz o jornal."No passado, líderes de partidos como o PFL direcionavam os votos dos pobres como em sociedades feudais, muitas vezes ´comprando´ votos com distribuição de comida."O FT diz que "essa franquia foi transferida em massa para o governo de Lula graças a programas como o Bolsa Família". O jornal também aponta para o "paradoxo do governo Lula", para a forma como ele teria conseguido "ser tão popular entre os pobres, enquanto fracassa ao tentar estimular o crescimento que o país precisa para garantir a prosperidade das pessoas a longo prazo". ´Chocante contradição´ O jornal espanhol El País traz um texto opinativo sobre as eleições e o sistema político brasileiro, onde se daria "uma chocante contradição"."Por um lado há o avanço das instituições representativas, o que se reflete no fato desta próxima eleição presidencial ser a quinta consecutiva, circunstância insólita nos últimos 60 anos (...) A administração eleitoral é exemplar, com urnas eletrônicas e a eliminação de qualquer suspeita de fraude", diz o artigo, assinado pelo cientista político Manuel Alcántara Sáez, catedrático da Universidade de Salamanca."Pelo outro lado", diz o autor, "a representação proporcional (...) produz Câmaras muito fragmentadas, onde nenhum partido alcança mais de 20% das cadeiras faz anos e os índices de decomposição dos partidos e de trocas partidárias são muito elevados, o que obriga o Executivo a abrir numerosos processos de negociação, as vezes com indivíduos isolados"."Por isso", conclui Sáez, Lula "será obrigado a conseguir o sempre difícil apoio de quatro ou cinco partidos que giram em torno do PT".

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