Lula vai contra comitê de campanha e retira acusações pessoais a Alckmin

O comitê da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta quinta-feira, por algumas horas, boletim na internet lembrando que uma filha do candidato adversário Geraldo Alckmin (PSDB) trabalhou numa loja acusada pelo Ministério Público Estadual de contrabando e a mulher, Lu Alckmin, ganhou de presente de um estilista "400 vestidinhos chiques".Ao ser informado no final da manhã dos ataques pessoais à família do candidato tucano, Lula mandou retirar o artigo da página na internet. "Agora, mais uma vez, vão dizer: ele sabia ou não sabia", reclamou Lula à equipe de campanha.No final da tarde, o presidente nacional do PT e coordenador geral da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, divulgou nota em que destacou que a coligação "A força do povo" estimula o balanço comparativo entre os governos Lula, FHC e Alckmin; bem como o debate entre os programas dos candidatos à Presidência da República. Contudo, considera totalmente "inadequado, inapropriado e lamentável lançar mão de ataques pessoais, envolvendo os candidatos ou suas famílias".De acordo com o documento, esta também é a posição do presidente Lula, "que por diversas vezes, inclusive na atual campanha, foi vítima de ataques pessoais, dirigidos contra ele e contra seus familiares". A nota termina com um pedido público de desculpas pelas referências feitas aos familiares do tucano.Já o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, considerou natural as críticas do boletim de campanha de Lula ao jornal O Estado de S. Paulo, a revista Veja e a família de Alckmin. "Hoje há, sem a maior sombra de dúvida, e eu não estou dizendo que seja uma conspiração, nem estou dizendo que é ilegal, nem estou dizendo que seja antidemocrático, mas há massivamente uma campanha onde 80% da grande mídia apóiam Alckmin e combatem a candidatura Lula então é natural que se responda. Isso não significa desrespeito nem significa acusação de conspirativismo", disse.Críticas internasResponsável pelo boletim, o petista Valter Pomar, da Executiva do PT, não gostou da decisão de Lula de censurar o artigo intitulado "O telhado de vidro de Alckmin". "Agora tem acordo?", questionou Pomar ao presidente. Na tentativa de conter o estrago, Lula reclamou: "Que acordo? Vocês sabem que eu não admito isso. Já fui vítima dessas coisas". O presidente referia-se a notícias envolvendo parentes dele em outras campanhas. Em plena campanha de 1989, veio à tona a revelação de que o petista tinha uma filha, Lurian.O boletim produzido por Pomar acusava Alckmin de baixar o nível no debate de domingo da TV Bandeirantes. "Só para lembrar: Alckmin questionou Lula sobre as denúncias de corrupção e disse que o presidente deveria obter respostas junto aos seus amigos mais íntimos", destaca o texto de Pomar. "Afinal, alguém poderia perguntar se ele (Alckmin) sabia que sua filha era funcionária de uma empresa acusada de contrabando, a Daslu, ou se tinha conhecimento que sua esposa ganhou de presente 400 vestidinhos chiques."O teor do artigo de Pomar é caro para o presidente. Em boa parte dos discursos de campanha, Lula acusou a imprensa e a oposição de baixar o nível do debate político. Na última segunda-feira, o presidente chegou a chamar Alckmin de "delegado de porta de cadeia" pela atuação no debate da Bandeirantes. "Por que nossos adversários não querem discutir política econômica? Por que eles não querem discutir política social?", questionou o presidente num discurso para cantores evangélicos no Palácio da Alvorada.No artigo, Pomar vai além e ataca O Estado de S.Paulo, por um editorial que comentou a performance de Alckmin no debate e as revistas Veja e Época, por publicar foto do tucano na capa do final de semana. "Se os Mesquita preferem Alckmin, as lideranças de esquerda votam em Lula", destaca o texto.O boletim cita como lideranças de esquerda o "eleitor de Heloísa Helena" Michel Lowy, o "militante do PSB" Ariano Suassuna, o "desenhista" Ziraldo, o "dirigente do Movimento dos Sem-Terra", João Pedro Stédile, e o "arquiteto" Oscar Niemeyer.O texto retirado ainda comentava a pesquisa Datafolha em que Lula aparece com 56%. "Os apoiadores de Lula recebem a pesquisa com alegria. Mas não subiremos no salto alto: faltam 18 dias para a eleição e a direita brasileira já demonstrou que não brinca em serviço."

Agencia Estado,

12 de outubro de 2006 | 19h17

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