Lula vai deixar para Dilma decisão sobre caças da FAB

A novela da compra dos 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) deve prosseguir durante a gestão da presidente eleita, Dilma Rousseff. Ontem, em entrevista coletiva no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que não vai decidir sobre um contrato orçado inicialmente em mais de US$ 12 bilhões a serem pagos em 10 anos faltando apenas 24 dias para o fim de seu mandato.

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2010 | 00h00

Segundo o presidente, o relatório técnico sobre as propostas das três empresas que participam da concorrência - a francesa Dassault, que é a favorita, a sueca Saab e a americana Boeing - deve ser concluído nos próximos dias. Para decidir, no entanto, Lula informou que pretende ouvir primeiro Dilma e o Conselho de Defesa Nacional.

"É uma questão de responsabilidade com o Brasil e com ela (Dilma). Eu não posso fazer uma dívida, para pagar nos próximos dez anos, faltando 20 dias para deixar o governo", explicou Lula. "Então, é muito melhor discutir com ela. Se ela falar "Bom, presidente, pode fazer", eu farei. Mas se ela falar "Deixa para eu fazer", eu certamente deixarei para ela fazer", concluiu o presidente.

Idas e vindas. O processo de compra dos caças se arrasta desde 1998, quando foram abertas as negociações do projeto FX, de reequipamento da Aeronáutica, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. O procedimento foi interrompido no início do governo Lula e reiniciado com a sigla FX-2. O atual condutor do processo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai permanecer no cargo durante a gestão Dilma.

Ao longo da concorrência, as três empresas participantes do processo fizeram lobby pesado, prometendo ao governo brasileiro descontos, transferência de tecnologia e até a instalação de unidades industriais em território nacional para a produção dos caças.

Os suecos ofereceram o Saab Gripen NG por US$ 6 bilhões, enquanto o americano F-18 Hornet/Boeing custaria US$ 7,7 bilhões. Apesar de apresentar a proposta mais alta, US$ 8 bilhões, os franceses e seu Rafale / Dassault são considerados os favoritos na disputa.

Em setembro do ano passado, o presidente Lula e seu colega francês, Nicolas Sarkozy, chegaram a divulgar que o Brasil havia fechado contrato com a Dassault. O anúncio provocou desconforto na FAB, que não havia terminado sua avaliação.

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