Lula vence na Cisjordânia e Alckmin, em Israel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o vencedor absoluto entre os brasileiros que moram nos Territórios Palestinos. Dos 376 eleitores que compareceram neste domingo, 1º, às duas seções eleitorais montadas no Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia, 299 (79,5%) votaram pela reeleição do presidente, visto pela comunidade brasileira local como o líder brasileiro que mais se pronuncia em prol da causa palestina. Em segundo lugar, ficou Geraldo Alckmin, com 24 votos (6,4%), seguido por Cristóvão Buarque com 15 (4%); Ana Maria Rangel com 13 (3,5%); e Heloísa Helena com 7 (1,8%). Já em Israel, a preferência foi outra entre os poucos eleitores que compareceram à Embaixada do Brasil em Tel Aviv. Entre os 39 votantes, o vencedor foi Geraldo Alckmin, com 32 votos (82%), seguido por Lula com apenas 4 (10,2%). A rejeição de Lula na comunidade brasileira em Israel não é de hoje. Em 2003, o presidente fez um giro pelo Oriente Médio visitando países árabes vizinhos a Israel, como Síria e Líbano, mas não passou por Jerusalém. O mal-estar piorou com a realização, por iniciativa do governo Lula, da Cúpula América do Sul-Países Árabes, em maio de 2005, na qual o Estado Judeu foi duramente criticado. EleitoresSegundo o embaixador do Brasil em Israel, Sérgio Moreira Lima, o comparecimento de eleitores foi baixo em Tel Aviv por causa do feriado do Yom Kippur, ou Dia do Perdão, a data mais sagrada do calendário Judaico. Dos 238 eleitores cadastrados, pouco mais de 15% se deslocaram até a embaixada.O Dia do Perdão também influenciou no comparecimento dos eleitores ao escritório do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia, capital política da Autoridade Nacional Palestina (ANP).Alertas para possíveis atentados fizeram o exército israelense bloquear os postos de controle na fronteira entre Israel e os Territórios Palestinos. Resultado: dos 823 eleitores cadastrados, só 376 fizeram uso das urnas eletrônicas. Eleitores de cidades como Nablus, Jenin e Hebron, sem contar os da Faixa de Gaza, não puderam comparecer. Além desse impedimento, um confronto armado entre militantes palestinos de facções rivais tumultuou as ruas da cidade durante boa parte do dia. Mesmo assim, o clima na Representação do Brasil em Ramallah era de festa neste domingo. Pela primeira vez, a comunidade brasileira na Cisjordânia - que conta com mais de 5.000 pessoas - pôde votar perto de casa, sem precisar se deslocar até a embaixada em Tel Aviv. A representação foi aberta há dois anos para facilitar trâmites consulares dos palestinos de origem brasileira. A distância geográfica entre Ramallah e Tel Aviv é de apenas 60km, mas as checagens do exército israelense podem transformar a viagem numa maratona ou até mesmo numa missão impossível."Pela primeira vez, pudemos votar sem preocupações", festejou a goiana Mona Abdel Awwad, de 33 anos, que mora há 14 na Cisjordânia. "Foi um dia de festa para a nossa comunidade", afirmou Mona, que foi convocada para ser mesária.

Agencia Estado,

01 de outubro de 2006 | 17h19

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