Lula 'vende' Mercadante e Alckmin oculta Serra

Tucano só faz citação discreta a presidenciável e exclui de currículo passagem por seu governo

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

Apelo. Lula usa 20 segundos para pedir que votem em petista  Discrição. Tucano menciona nome de Serra apenas uma vez

 

 

 

 

 

Os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT), os mais bem colocados nas pesquisas para o governo de São Paulo, estrearam ontem no horário eleitoral gratuito seguindo estratégias parecidas com as adotadas pelos presidenciáveis de seus partidos.

O primeiro programa petista na TV, às 13 horas, teve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo voto para Mercadante. O segundo, levado ao ar à noite, foi quase todo dedicado a um "bate-papo" entre os dois. Já a propaganda de Alckmin, repetida nos dois horários, fez menção a José Serra, mas de forma discreta.

O vídeo tucano não exibiu nenhuma imagem de Serra em 6min56s de duração. A exposição do presidenciável foi maior ontem nos horários reservados aos senadores da coligação - Orestes Quércia e Aloysio Nunes Ferreira - do que no tempo concedido a Alckmin.

Na linha do tempo que narrou toda a trajetória política do tucano - da Prefeitura de Pindamonhangaba (SP) ao governo do Estado - também ignorou sua passagem de pouco mais de um ano pela Secretaria de Desenvolvimento do governo Serra. Na ocasião, a escolha do então governador teve significado emblemático para os tucanos. De um lado, representava uma tentativa de unificar o partido, dividido após a insistência de Alckmin em concorrer na eleição presidencial de 2006. De outro, serviria para dar visibilidade a Alckmin, já de olho na sucessão de Serra no governo.

O nome de Serra só foi mencionado uma vez por Alckmin no programa da tarde. Foi quando prometeu construir mais escolas técnicas e faculdades de tecnologia. "Enfim, São Paulo é o motor do Brasil e nós precisamos e vamos ajudar o nosso presidente Serra, fazendo as grandes obras que geram empregos para as pessoas e trazem progresso para o nosso Estado."

A segunda referência a Serra veio de um eleitor. A última surgiu na fala do locutor, quando o assunto eram os ambulatórios de especialidades - "o Serra implantou, Geraldo vai ampliar". Se com Serra a propaganda de Alckmin foi "econômica", com o ex-governador Mário Covas foi um pouco mais generosa. O político tucano, padrinho político do candidato ao governo, foi citado duas vez.

Ao contrário de Serra, retratado de camisa sem gravata e mangas dobradas, Alckmin usava camisa e gravata da cor salmão.

Lula. O programa noturno de Mercadante usou seus 4min e 16s para explorar a relação de "30 anos" dele com Lula e o "convite" para assumir um ministério na primeira gestão. Anteontem, no horário nobre, Dilma Rousseff (PT) já havia usado a imagem de Lula numa espécie de jogral por cidades do País.

À tarde, o programa de Mercadante fez críticas à administração tucana em São Paulo. Ao condenar "o abuso dos pedágios", ele se comprometeu a rever os contratos e adotar a cobrança por quilômetro rodado. Disse ainda que vai "acabar com essa coisa de progressão automática" nas escolas. E usou o projeto do trem-bala, bandeira de Dilma, para prometer, a partir dessa "a coluna vertebral", uma expansão da rede ferroviária paulista em direção ao interior.

Nos segundos finais, Lula surgiu na tela para pedir votos. "Eu gostaria muito que você depositasse no Mercadante a mesma confiança que depositou em mim", disse o presidente. Nos dois horários, Mercadante apareceu sentado. O jogo de câmeras, que busca dar um ar de informalidade ao discurso, captando o gestual do candidato e o figurino (à tarde, camisa branca sem gravata e, à noite, camisa sem gravata e paletó), lembraram a forma como Dilma foi retratada em seus programas.

Além dos minutos do horário eleitoral, Mercadante tem usado as inserções no rádio e na TV para atacar seu adversário tucano. Numa delas, veiculada ontem nas rádios, o narrador observa que, até agora, São Paulo não se preparou para receber a Copa de 2014. A exemplo do que fez no primeiro dia de TV, Mercadante voltou ontem a "invadir" parte do bloco dedicado aos candidatos a deputado de sua coligação. Dessa vez, a locutora fala da "violência" nas escolas - na estreia, o foco foi nos pedágios. Por fim, três homens fantasiados de mexicanos, com chapelão e bigodes generosos, cantavam: "Por que não fez? Não fez por que se teve tempo para fazer?".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.