Wilton Junior/AE
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Lula visita a Petrobrás pela 18ª vez este ano

Estratégia é favorecer candidata petista Dilma Rousseff na campanha, associando candidato José Serra à ideia de privatização da companhia

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

Em mais um discurso de exaltação à Petrobrás, a três dias da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a estatal e seus funcionários são um orgulho nacional, maior até que o Carnaval e o futebol. Em visita à plataforma do campo de Tupi, na Bacia de Santos, onde deu início à exploração comercial do pré-sal, Lula discursou para funcionários, sujou as mãos de óleo e colheu petróleo em um pequeno barril, que anunciou levar para casa "como um troféu".

"Quando a gente quiser ter orgulho de alguma coisa neste país, a gente lembra da Petrobrás, de seus engenheiros, de seu geólogos, do pessoal que é a razão maior do orgulho. Mais do que o Carnaval, do que o futebol. A Petrobrás é a certeza e a convicção de que este país será uma grande nação", disse. Lula afirmou que o Brasil "jogou fora o século 20" porque não soube aproveitar as oportunidades.

Na visita à plataforma, Lula foi informado que os técnicos batizaram de "Marco Lula" a área no fundo do mar onde foram detectados nove picos geológicos denominados "nove dedos". "Fico muito feliz de ter meu nome ligado a uma coisa que, para mim, é sagrada", agradeceu o presidente.

O presidente aproveitou para agradecer à equipe da empresa por ter entregue um par de luvas em que faltava o dedo mínimo da mão esquerda. Bem-humorado, Lula contou que adiou a visita à plataforma por medo de enfrentar trezentos quilômetros a bordo de um helicóptero, mas que não poderia deixar de fazer a visita até o fim do mandato. "Eu jamais ia deixar meu mandato sem colocar meus pés em Tupi para ver esta coisa que é a consagração dos nossos filhos, netos, bisnetos e do Brasil como um todo. É o começo de uma nova era no nosso país", declarou.

Agenda. A visita ao campo de Tupi foi o sexto compromisso oficial do presidente no mês de outubro em que prestigia a Petrobrás. Lula segue, assim, a estratégia de defesa da estatal adotada pela campanha da petista Dilma Rousseff à Presidência da República, que associa o adversário José Serra (PSDB) à ampliação das privatizações iniciadas no governo Fernando Henrique Cardoso. Levada ao centro da disputa presidencial, especialmente no segundo turno, a Petrobrás sempre esteve na agenda do presidente, mas a atenção à estatal aumentou em 2010.

De janeiro até agora, Lula participou 18 compromissos relacionados à empresa de petróleo. Em 2009, foram 13 programações relativas à Petrobrás. Em 2008, o número chegou a 20 e em 2007 foram 16. O levantamento foi feito na agenda de viagens nacionais do presidente, no site do Palácio do Planalto, e no portal de notícias da Petrobrás.

Ontem, depois da visita à plataforma e do discurso aos técnicos embarcados, o presidente participou de uma solenidade na Base Aérea do Galeão, que reuniu diretores e gerentes da estatal. Em mais um discurso, Lula ironizou o fato de, segundo ele, "um litro de gasolina ser mais barato que uma garrafa de água". "Está na fase de a Petrobrás entrar na era da água", disse Lula, rindo do governador Sérgio Cabral (PMDB), que apelidou a empresa fictícia de "Petroágua".

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