Luto e alerta marcam homenagem às vítimas do voo da TAM

Ato celebrou memória das 199 vítimas do acidente em Congonhas; familiares apontam praça como ‘endereço de alerta para a falta de segurança aérea’

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2012 | 20h39

A inauguração da Praça Memorial 17 de Julho, uma homenagem às 199 vítimas da explosão do Airbus A-320 da TAM, ocorrida há cinco anos, foi marcada pela emoção. Assim como no dia do acidente, uma terça-feira, fazia frio e chovia na região do Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. Às 18h50, o som de um clarinete tocado pela Polícia Militar ecoou por um minuto, em referência ao momento em que o avião se chocou com o prédio de cargas da própria companhia e explodiu. Foi também quando a tempestade se intensificou no local.

Cerca de 300 familiares e amigos participaram da cerimônia. Na mureta com o nome das vítimas, em volta do espelho d’água, parentes deixavam flores brancas e estrelas com mensagens de carinho e saudade. Foram acesas 199 lâmpadas de LED, em formato de estrelas, colocadas posteriormente no chão. Depois da apresentação de um coral, familiares discursaram, reforçando que a praça não é apenas uma homenagem às vítimas, mas "um endereço de alerta sobre a falta de segurança no tráfego aéreo do País".

Memorial. Projetado de acordo com a vontade dos parentes, o Memorial 17 de Julho tem 8,3 mil metros quadrados e fica na frente da cabeceira da pista de Congonhas. As obras duraram sete meses e custaram R$ 3,6 milhões. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi à cerimônia. "É um local de homenagem e um local de alerta. Espero que todas as autoridades que passam por aqui e são responsáveis pela aviação civil coloquem as mãos à obra", disse o prefeito, em referência à melhoria da segurança aérea.

Satisfeitos com a execução do projeto, integrantes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ3054 (Afavitam) celebraram a inauguração, mas não sem protestar pela demora na condenação dos culpados. Os responsáveis pela tragédia ainda não foram ouvidos na Justiça.

Denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) há um ano, a então diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, e os ex-diretores da companhia Alberto Fajerman e Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro pleiteiam a absolvição sumária no processo. Os três respondem por "atentado contra a segurança no transporte aéreo". Eles negam participação no acidente.

Indenização. A busca por indenização continua para um grupo de familiares de 101 vítimas. Eles já fizeram acordo com a TAM, mas ainda reivindicam na Justiça a condenação da Airbus com base em documentos que supostamente indicam que a fabricante sabia das falhas mecânicas do modelo 320. Informações das caixas-pretas indicaram que o Airbus não conseguiu desacelerar ao pousar porque uma das alavancas de velocidade foi posicionada de forma incorreta.

Porto Alegre. As homenagens às vítimas não se restringiram ao local da explosão, em Congonhas, São Paulo. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, cerca de 30 familiares e amigos das vítimas do voo 3054 da TAM se reuniram onde a viagem começou. Primeiro, o grupo depositou flores e cartazes no Largo da Vida, local onde em 2008 foram plantadas árvores para lembrar os mortos. Depois, foi até o saguão do Aeroporto Salgado Filho. No fim da tarde, houve uma missa na Catedral Metropolitana. / ELDER OGLIARI

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