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Luz critica plano de segurança de Benedita

Chefe de Polícia Civil de 1995 a 1997, o deputado Hélio Luz (sem partido) classificou como ?ineficazes? as propostas do sociólogo Luiz Eduardo Soares para a segurança pública do Estado. Para Luz, o plano esboçado pelo governo de Benedita da Silva (PT) repete a Operação Rio, realizada em 1994, quando as favelas da cidade foram sitiadas por 20 mil homens do Exército, que atuavam ao lado das polícias civil e militar.Procurado pelo Estado, Soares não atendeu ao pedido de entrevista por estar gripado. As diferenças, aponta Luz, são o menor efetivo à disposição do governo hoje (as Forças Armadas não estarão nas ruas) e o custo da ação. Em 94, foram gastos R$ 50 milhões. Benedita pleiteia valor entre R$ 150 milhões e R$ 180 milhões do governo federal apenas para a construção de casas de custódia.Luz deixou o PT no início do ano por divergências com a governadora e seu grupo político. A idéia mais criticada pelo deputado é a que envolve o controle dos acessos às favelas. Luiz Eduardo Soares acredita que para evitar a entrada de armas e drogas nessas comunidades é preciso reduzir o número de vias transitáveis por automóveis e inspecionar todos os carros que entram e saem. ?Oito anos depois da Operação Rio, o Luís Eduardo propõe a mesma coisa. Chegou atrasado. Além de tudo, é ingênuo. Desde quando traficante vai passar de carro com cocaína e arma? Isso vai entrar de qualquer maneira, porque (os traficantes) vão comprar a PM. Não vai ter efeito nenhum?, diz o parlamentar.Luz, que antes de se tornar político foi delegado da Polícia Civil, vê ?incompetência? e falta de conhecimento de causa nas propostas de Soares, que classifica de ?primárias?. ?Fico admirado de que um sociólogo consiga formular esse plano. Ele (Soares) está perdido. O problema é que não conhecem nada de polícia nem de segurança pública?, afirma.?A impressão é de que a situação está piorando porque os bandidos estão se organizando. É mentira. A segurança é que está desorganizada. Os formuladores da política de segurança são incompetentes?, ataca. ?Ficam superdimensionando a criminalidade. A questão é muito mais simples.?O ex-delegado diz ainda que as propostas de Soares revelam incoerência entre o discurso do governo petista e sua prática. ?Isso é política de gueto, é um atraso. O PPB não faria melhor. Paulo Maluf ficaria encabulado de fazer um projeto desse?, provoca. ?A origem das polícias é o controle de escravo urbano. Benedita faz o mesmo. Hoje em dia, o escravo é o excluido, o favelado. E a favela é a senzala. Vão cercar a senzala e tratar a população pobre como inimigo do Estado?, diz o deputado.Ele compara a política de segurança do governo com os métodos usados pelo primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, contra os palestinos. ?Nosso Ariel Sharon se chama Luís Eduardo Soares.?

Agencia Estado,

21 de maio de 2002 | 18h58

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