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Maconha e refrigerantes

Americanos também votaram questões polêmicas, como a taxação de bebida com açúcar

Jairo Bouer*, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2016 | 06h00

Na última semana, além de elegerem Donald Trump para presidente, os americanos definiram sua posição, em plebiscitos municipais e estaduais, em relação a questões complexas como legalização do uso recreativo e medicinal da maconha, pena de morte, taxação de refrigerantes e obrigatoriedade do uso de preservativo pelos atores em filmes pornográficos.

A Califórnia, o Estado mais rico daquele país, estava sob os holofotes do mundo em função da decisão da população sobre alguns desses temas mais “espinhosos”. Os resultados mostram que o Estado, conhecido por suas posturas mais liberais, votou pela não obrigatoriedade do uso de camisinha na indústria de filmes pornôs e legalizou o uso recreativo da maconha. Vamos ver alguns desses novos posicionamentos nos EUA:

Maconha para uso recreativo. Agora, além de Colorado, Washington, Alasca e Oregon (que já tinham leis anteriores favoráveis ao uso recreativo), Califórnia, Massachusetts, Nevada e Maine assumiram posição semelhante. Flórida, Dakota do Norte, Montana e Arkansas autorizaram o uso medicinal da substância. Arizona, não. Agora, mais da metade dos Estados americanos tem leis favoráveis à droga.

De um lado, os defensores da legalização afirmam que a medida pode diminuir tráfico, prisões e violência, além de não aumentar o consumo. De outro, alguns especialistas temem que a liberação acabe estimulando o abuso por parte dos adolescentes, com risco crescente de quadros psiquiátricos e piora no desempenho acadêmico.

Os trabalhos divulgados nos Estados em que houve flexibilização do uso da droga mostram resultados controversos. Alguns afirmam que o consumo tem aumentado. Outros não apontam piora no padrão de uso e comportamento, e ainda afirmam que houve redução no número de prisões. 

Com a falência da política americana de combate às drogas que perdurou por décadas, os especialistas buscam outros caminhos para lidar com esse consumo. Educação, prevenção e legalização do uso da maconha são algumas das alternativas apontadas. Mas, como tudo ainda é recente, vamos precisar de estudos mais a longo prazo para medir o tamanho desse impacto. 

Refrigerantes mais caros. Outra medida polêmica, a taxação de refrigerantes foi aprovada em três cidades da Califórnia (Oakland, São Francisco e Albany) e em Boulder (Colorado). Essa foi outra batalha árdua entre a indústria de bebidas adoçadas e diversas entidades de saúde. 

Para os defensores da medida, o aumento dos impostos pode fazer com que a população diminua o consumo de refrigerantes e outras bebidas ricas em açúcar. Essa seria uma estratégia adicional no combate à epidemia de obesidade e sobrepeso no país. 

A cidade de Berkeley, também na Califórnia, foi a primeira do país a taxar as bebidas adoçadas, em 2014. Parte do dinheiro arrecadado com os impostos foi revertida para os serviços de saúde locais. Nos últimos anos, a discussão sobre a taxação das bebidas açucaradas tem ganhado destaque na Europa e nos EUA. Para alguns especialistas, as taxas podem ter algum impacto no consumo, mas um trabalho mais amplo na mudança de hábitos educacionais e nutricionais na população, com um consumo espontâneo mais moderado de doces e refrigerantes, poderia ter alcance muito maior. 

A indústria também poderia reduzir progressivamente a quantidade de açúcar em seus produtos, além de trabalhar em campanhas de prevenção sobre exageros no consumo e pensar em embalagens menores.

Apesar de os resultados refletirem apenas a posição de alguns municípios e Estados dos EUA, eles podem fazer os políticos e legisladores discutirem as medidas no âmbito federal. É esperar para ver. 

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