Madrugada mais quente do ano tira o sono dos paulistanos

Acima dos 27ºC fica difícil dormir: o cérebro não descansa porque está focado em manter a temperatura do corpo

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

04 de março de 2009 | 00h00

Nem a chuva de ontem, capaz de provocar seis pontos de alagamento na cidade, conseguiu vencer o calor que há uma semana atinge os paulistanos. A escala do termômetro não arredou da marca dos 30°C, atingiu 32,2°C de temperatura às 14 horas e serviu para aumentar uma turma que já é composta por 2,2 milhões de pessoas: a dos que sofrem de insônia. Criança, adolescente, adulto ou idoso. Segundo os especialistas, para qualquer idade o calor é um dos grandes inimigos do sono. "Acima dos 27°C, o corpo sente enorme dificuldade para dormir", explica Shigueo Yonekura, médico do Instituto de Medicina do Sono de Campinas. "O cérebro não consegue descansar porque fica focado em manter a temperatura do corpo."As olheiras estampadas na maioria dos rostos em plena terça-feira foi impulsionada por outro fator. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), na madrugada de segunda para terça-feira os 24°C renderam para a noite o recorde de madrugada mais quente do ano. Índice igual para uma temperatura mínima, nesta época do ano, só foi atingido em março de 2005, quando se registrou 24°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)."Nesses últimos dias, vários fatores que comprometem a qualidade do sono (calor, poluição e ar seco) estão reunidos. Por isso, as queixas são tão recorrentes", diz a coordenadora do Instituto do Sono de São Paulo, Luciana Palombini, que também integra a Associação Brasileira do Sono. A concentração em excesso de poluentes foi outro problema grave em metade das 18 estações de medição da Companhia de Tecnologia Ambiental (Cetesb) localizadas na Região Metropolitana de São Paulo.Luciana ressalta que o calor vem para piorar uma situação já alarmante na cidade de São Paulo. "Enfrentamos hoje uma epidemia de privação de sono, provocada por estresse, longas jornadas de trabalho e hábitos de vida." Faça chuva ou faça sol, são 20% dos paulistanos que sofrem de insônia e três em cada dez enfrentam algum distúrbio respiratório na hora de dormir, o que também causa dificuldades no descanso. Essa parcela da população fica ainda mais suscetível aos problemas em tempos de calorão."A agravante é que não dormir por muitos dias pode desencadear outros problemas de saúde, incluindo asma, bronquite, diabetes e até doenças cardiovasculares. O que torna o ambiente ainda mais arriscado, uma vez que o próprio calor em excesso é um perigo para o coração.Uma pesquisa da Sociedade Paulista de Cardiologia, feita com 12.007 vítimas de enfarte, atestou que em dias em que a média da temperatura ultrapassa 24°C o risco de pane cardíaca cresce 11%. Diarreia, dor de cabeça e problemas de pele também são agravados em dias quentes. A prevenção é tomar muito líquido. DICASSegundo os especialistas, não há muitas maneiras de conseguir dormir melhor. Ventilador ou ar-condicionado acabam como raras opções. A ventilação artificial só é contraindicada para quem sofre de crises respiratórias. Mas é preciso cuidado para não deixar a temperatura abaixo de 19°C.Sugere-se ainda tomar banho pouco antes de deitar e deixar a cama forrada apenas com lençol. Mesmo para as crianças, em noites quentes, vale colocar apenas uma camiseta de algodão como roupa de dormir. E não há problema em deixar a janela aberta, desde que se tenha atenção com os insetos.PREVISÃOPara hoje, a empresa Climatempo prevê aumento de nuvens e pancadas isoladas de chuva entre o meio da tarde e o início da noite na capital e no litoral paulista. O calor deve continuar forte até sexta-feira.Já no centro-oeste e no noroeste do Estado, o ar mais seco deixa o tempo firme. FRASESShigueo YonekuraMédico"O cérebro não consegue descansar porque fica focado em manter a temperatura do corpo."Luciana PalombiniCoordenadora do Instituto do Sono de São Paulo"Nesses últimos dias, vários fatores que comprometem a qualidade do sono (calor, poluição e ar seco) estão reunidos. Por isso, as queixas são tão recorrentes. Enfrentamos hoje uma epidemia de privação de sono "

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