Mãe acorrenta filho para mantê-lo longe das drogas em Maceió

Conselho Tutelar diz que não pode ajudar pois ele mora com os pais; menino de 14 anos fugiu após apelo da mãe

Ricardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2009 | 11h25

O desespero levou a dona de casa Maria Aparecida a acorrentar o filho adotivo de 14 anos dentro de casa, na Avenida Denilma Bulhões, na Chã da Jaqueira, na periferia de Maceió. Maria Aparecida disse que esta é a quarta vez que acorrenta o filho para manter o garoto longe das drogas, principalmente o crack, também conhecido por "nóia".   O adolescente é suspeito de roubar objetos de casa e dos vizinhos para trocar por drogas. Maria Aparecida disse que não sabe mais o que fazer para livrar o filho da dependência química, por isso prefere mantê-lo acorrentado, dentro de casa. "Estou desesperada com o meu filho desse jeito. Ele nega, mas sei que usa droga na rua".   A mãe do garoto informou que já procurou o Conselho Tutelar para solicitar ajuda, mas como o menor mora com os pais, os conselheiros disseram que não puderam ajudar. Além dele, Maria Aparecida tem mais três filhos.   O drama da dona de casa foi noticiado no início da manhã desta quinta-feira, 19, por uma emissora de rádio. O apelo da dona de casa sensibilizou o secretário municipal de Saúde, Francisco Lima, que enviou uma equipe especializada em usuários de álcool e drogas, para avaliar o quadro do adolescente e levá-lo para tratamento. Quando a equipe médica chegou, o menino tinha acabado de fugir.   A mãe mostrou que o filho estava acorrentado numa pilastra de alvenaria dentro de casa, mas abriu o cadeado da corrente, com um pedaço de arame. O pai dele disse à equipe médica que na semana passada foi buscar o filho numa boca de fumo, onde até a polícia tem receio de entrar.

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