Mãe biológica de L. lutará por guarda da filha

Juiz quer entregar menina ao pai; Joana acusa ex-marido de ser violento

Rubens Santos, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

Joana D?Arc da Silva, de 40 anos, confirmou que vai lutar pela guarda da filha, a menina L., de 12 anos, torturada pela empresária Silvia Calabresi Lima nos últimos dois anos. "Eu tenho esse direito e vou disputar pra ficar com ela." Joana promete lutar pela guarda da filha que o juiz da Infância e Juventude quer entregar ao pai da criança, Lourenço Rodrigues Ferreira."O que ninguém sabe é que ele (Ferreira) é violento. Me batia todo dia por ciúmes de quem se aproximava para falar comigo," contou Joana, mostrando o dedo anular que ficou deformado, segundo ela, pelas surras do ex-marido. Depois de três casamentos sem registro em cartório, dois deles dissolvidos, e nove filhos - três já morreram, cinco estão com outras pessoas e um está com ela -, Joana não sabe, ainda, que foi indiciada pela Polícia Civil de Goiás por omissão e entrega ilegal de criança (a entrevista foi feita antes de se tornar pública a denúncia do Ministério Público). Vai ser julgada nos próximos 60 dias e pode ser presa por um período superior a oito anos. "Não estou com medo de ser presa."Analfabeta, diarista e vendedora de salgadinhos nas horas vagas, moradora de um bairro pobre de Pires do Rio, a 275 km de Goiânia, Joana relembrou o dia em que conheceu Silvia. "Minha irmã me chamou para fazer faxina na mansão da Silvia, e eu levei a L.. A mulher gostou logo dela. Pediu pra deixar ela passar as férias (julho de 2006) na casa, tomar banho na piscina, prometeu cuidar e acreditei."A mãe contou que a empresária levou L. para visitá-la. "Mas quando ela viu que o carro (um Ford EcoSport) em que chegaram foi rodeado pelas crianças do bairro, achou ruim. Ela falou: ?Não gosto de menino feio, preto, nem pobre?. E disse que teria de levar o carro para o lava-jato para não contaminar." Depois disso, a empresária fez só mais uma visita. "Aí, passei a visitar a L. na casa dela." Durante uma dessas visitas, Joana disse ter encontrado a filha com sinais de maus-tratos. "Um dia (em 2007) estava com olheira, o olhinho roxo. Quando perguntei, a L. disse que caiu da escada." Para esconder outros ferimentos, L. apareceu no dia de seu aniversário - 1º de outubro passado - vestida com moletom, tênis e luvas. "Silvia disse que ela estava com dengue."A diarista revelou que a empresária comentou que abrira uma caderneta de poupança para a menina. "Ela (Silvia) disse que tinha uma poupança e o dinheiro dava pra comprar um carro e um apartamento para a L." O montante depositado e o banco em que estaria a conta nunca foram revelados.Por duas vezes, Joana disse ter pedido dinheiro para a empresária, para saldar despesas da casa. "Uma vez pedi R$ 96 para pagar uma conta de luz. Ela mesmo pegou a conta e foi até a loteca pagar para mim." Numa segunda vez, Silvia deu R$ 100, na versão da mãe. "Eu precisei e ela deu. Poxa, eu tinha muitos filhos, tinha de pagar a conta."Hoje, Joana está revoltada com a situação e reclama que vem sendo hostilizada até pelos vizinhos. "Veja só, o povo vem só me lascando. Mas não houve essa história de dinheiro. Trabalho fazendo faxina, vendendo salgadinho, queria coisa melhor para a minha filha."

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