Mãe biológica de Pedrinho acusa mãe adotiva de seqüestro

Depois de nove dias de silêncio, a mãebiológica de Pedrinho, Maria Auxiliadora Rosalino Braule Pinto, acusou a mãe adotiva, Vilma Martins Costa, de ter seqüestrado o seu filho, na maternidade 16 anos atrás.?A D. Vilma é a mesma pessoa que esteve no meu quarto. Não tenho a menor dúvida disso.Afirmo isso com absoluta certeza?, acusou Lia em depoimento nesta segunda-feira à Delegacia deHomicídio.Em entrevista coletiva, Lia disse ter reconhecido Vilma, no sábado, dia 9, quando elaapareceu no Jornal Nacional ao lado do filho adotivo Osvaldo Borges Júnior.?Eu olhei e, na mesma hora, tive a certeza de que se tratava daquela mulher que no dia 21 de janeirode 1986 pegou o meu bebê do lado da minha cama?, revelou Lia, muito emocionada.Lia afirmou que a voz e os olhos da mulher que levou o filho do quarto ficaram gravadosem sua mente e coração. ?Eu jamais esqueceria seu rosto.?Lia disse que resolveu não comentar antes para não estragar o encontro com o filho, no domingo, em Goiânia. Depois, manteve o silêncio para não atrapalhar a aproximação com o filho.Mas mudou de idéia, mesmo correndo o risco de o filho passar a odiá-la. ?Pedro, eu acho que agente não poderia recomeçar jamais uma vida com uma mentira?, mandou o recado aofilho, durante a entrevista.Ela disse que refletiu muito desde o dia em que reconheceu Vilma e que também sofreu bastante. ?Foi uma decisão muito dificil, estou correndo, realmente, este risco de você ficar com raiva de mim, por estar acusando a sua mãe,que você julga ser sua mãe, você a tem como mãe.?Com voz embargada, Lia ainda foi capaz de afirmar que apesar de tudo o que ocorreu ela ainda era ?grata? a Vilma porque ela criou Pedrinho ?muito bem? e vê que o filho a ama. ?Daria tudo, meu filho, a minhavida toda, para evitar isso, para evitar mais esta dor?, concluiu.Ao lado de Lia, o marido Jayro Tapajós, anunciou que pretende pedir a guarda do rapaz, porque Vilma está impedindo o contato com o filho. ?Se Vilma se mostrar não cumpridora dos nossos acordos, naturalmente vamos entrar na Justiça para pedir a guarda do nosso filho.?Segundo Jayro, o rapaz pode continuar vivendo em Goiânia, sem nenhum problema. ?Mas tudo na vida dele terá de passar por nós até que fique maior?, disse.

Agencia Estado,

18 de novembro de 2002 | 19h38

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