Mãe de alpinista perdido tem esperanças de que filho esteja vivo

Leandro, um dos quatro irmãos do montanhista, é mais cético e acha difícil que ele seja resgatado vivo; segundo ele, esta foi a terceira vez que Bernardo tentou escalar o Fitz Roy, na Argentina

Marcelo Auler, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2011 | 18h10

RIO - A família do montanhista Bernardo Collares Arantes, de 46 anos, que desde segunda-feira está no alto do Monte Fitz Roy, nas proximidades do povoado de El Chatén, na Patagônia, sul da Argentina, está dividida. Sua mãe, Heliane Damiano Collares, de 68 anos, ainda tem esperanças que o filho possa ser resgatado com vida. Leandro, um dos quatro irmãos do montanhista, é mais cético e acha difícil que ele seja resgatado vivo.

 

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Diante das escaladas de Bernardo, a mãe "sempre ficava apreensiva, mas aceitava, pois era a escolha dele", explica Leandro, porta-voz da família. Leandro também quer se aventurar nas escaladas. "Já havia começado o curso e parei. Irei voltar", explica. A irmã Kátia também faz escaladas. Bernardo é filho do advogado, jornalista e político mineiro Euro Luiz Arantes, fundador do jornal Binômio, famoso na década de 1950. Deputado estadual entre 1959 e 1961, Euro morreu em 1993.

 

Leandro conversou com o irmão na véspera do Natal sobre a escalado ao Fitz Roy. "Não era qualquer montanha. Ele tinha respeito, mas não medo. Até onde tenho conhecimento, ninguém o aconselhou a não fazer esta escalada, afinal, todo mundo sabia o quanto ele era experiente e respeitava a montanha", explicou Leandro.

 

Nesta sexta-feira, 7, Erika, irmã de Bernardo, chegou a El Chatén para acompanhar as tentativas de resgate do irmão. Ao passar por Buenos Aires encontrou-se com o vice-cônsul brasileiro Marcos Maia. Segundo ele, as autoridades argentinas colocaram à disposição um helicóptero, além de todo o pessoal e equipamentos necessários para tentar o resgate de Bernardo. A operação estava sendo discutida na Gendarmeria (uma força de segurança argentina de natureza militar) de El Chatén.

 

"É uma operação muito perigosa. Eles não podem colocar em risco os funcionários da Gendarmeria, por isto está demorando. Eles criaram uma comissão de análise na qual estão também os montanhistas da região que têm muito mais conhecimento técnico de como subir nas montanhas" explicou Maia, ao Estado, por telefone. Ele não deu garantias de quando o resgate poderá ser feito.

 

Segundo Leandro, esta foi a terceira tentativa de Bernardo de subir o Fitz Roy. No ano passado, ele esteve exatamente no mesmo local, mas o mau tempo impediu a escalada.

 

Uma nova tentativa ocorreu segunda-feira ao lado de Kika Brandford, mas quando faltavam 400 metros para atingir o cume, eles foram obrigados a desistir por causa do mau tempo. No início da descida, Bernardo caiu de uma altura de cerca de 15 metros, e, provavelmente, fraturou a bacia e sofreu uma hemorragia interna. Kika ainda ficou quatro horas ao lado do amigo e depois continuou a descida em busca de socorro. Ela só chegou a El Chatén na terça-feira.

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