Mãe de bebê jogado em lagoa é indiciada; advogado não é o pai

O delegado Hélcio de Sá Bernardes indiciou nesta segunda-feira a promotora de vendas Simone Cassiano da Silva, de 29 anos, por tentativa de homicídio contra a própria filha, um recém-nascido. A mulher é acusada de jogar a menina na Lagoa da Pampulha, região norte de Belo Horizonte, no dia 28 de janeiro. A menina, colocada dentro de um saco plástico amarrado a um pedaço de madeira, foi salva por populares. Bernardes, titular da 16º seccional de Polícia Civil, decidiu pelo indiciamento após conhecer o resultado do exame de DNA do advogado Gerson Reis Júnior, com quem Simone estava morando. O exame revelou que o advogado não é pai da criança. Ele disse que pediria a guarda da criança se ela fosse sua filha. A polícia já trabalhava com a hipótese de que a promotora de vendas queria se livrar do bebê e por isso teria escondido a gravidez do então companheiro e até de familiares. De acordo com a investigação policial, de família humilde, Simone teria interesse em manter a relação, pois mudou seu padrão de vida quando passou a morar com o advogado, em agosto de 2005. "Não existe qualquer dúvida de que foi a Simone que executou a ação de lançar essa criança dentro da Lagoa da Pampulha", disse o delegado. O advogado chegou a dizer que reivindicaria a guarda da criança caso o exame de DNA revelasse que ele era o pai. O prazo legal de 10 dias para o fim do inquérito policial termina na terça-feira. Ele será remetido à Justiça, que depois irá encaminhá-lo ao Ministério Público, que oferecerá ou não a denúncia formal. Em caso de denúncia, o juiz definirá se aceita ou não. Caso aceite, começa o processo. Durante as investigações, o delegado tomou o depoimento de 20 pessoas. O laudo do exame de DNA será anexado ao inquérito. Apenas Simone foi indiciada. A pena prevista para o crime varia de seis a 20 anos de prisão. A promotora de vendas permanece presa numa cela separada na penitenciária de mulheres Estevão Pinto, em Belo Horizonte. Quando foi presa, Simone negou ter jogado a filha - que foi registrada provisoriamente com o nome de Letícia Maria da Silva - na lagoa e disse que a entregara a um casal de andarilhos. Letícia está em um abrigo, não revelado por determinação do Juizado da Infância e da Juventude.

Agencia Estado,

06 Fevereiro 2006 | 20h16

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.