Mãe de Chico Buarque morre aos 100 anos

MARIA AMÉLIA BUARQUE DE HOLLANDA 1910 - 2010[br][br]Viúva do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, Maria Amélia era ligada ao presidente Lula desde a época da fundação do PT

Márcia Vieira, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

Maria Amélia Buarque de Hollanda, mãe do compositor Chico Buarque, morreu ontem em casa, em Copacabana, aos 100 anos. Viúva do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e fundadora do PT, ela morreu dormindo e será cremada amanhã no Cemitério São Francisco Xavier.

Memélia, apelido que ganhou da neta Bebel Gilberto, comemorou seu centenário em janeiro em uma festa na cobertura de Chico no Leblon, com a presença do presidente Lula e do arquiteto Oscar Niemeyer, amigos de longa data. A festa foi uma grande celebração da família Buarque de Hollanda.

Maria Amélia teve sete filhos, 14 netos e 14 bisnetos. Nelson Pereira dos Santos, diretor do documentário Raízes do Brasil sobre Sérgio Buarque, costuma dizer que Memélia era a "árvore frondosa da família".

Seu apartamento de frente para o mar de Copacabana vivia cheio. O presidente Lula jantou lá em uma das suas visitas ao Rio. A ligação entre os dois vem desde a época de fundação do Partido dos Trabalhadores. Quando Lula se candidatou à Presidência pela primeira vez, em 1989, Maria Amélia fez a primeira doação para campanha. Enviou pelas mãos de Frei Betto o cheque com o valor integral da pensão que ela recebia como viúva de Sérgio.

No último réveillon, o presidente telefonou para lhe desejar um feliz 2010. Memélia achou que era trote, mas no final da conversa, depois de muita insistência, acabou se convencendo de que era mesmo o presidente.

Memória. Nos últimos tempos, ela quase não saía de casa. Uma fraqueza nas pernas a obrigava a andar apenas de cadeira de rodas, coisa que ela detestava. Mas sua memória continuava excelente, repleta de histórias da época em que viveu em São Paulo com Sérgio, então diretor do Museu Ipiranga. Foi ela quem deu a maior parte das informações para o documentário de Nelson Pereira dos Santos.

Quando o marido morreu, em 1982, ela se mudou para o Rio. Desde então viveu no apartamento da Avenida Atlântica. A cantora Bebel Gilberto, filha de João Gilberto e Miúcha, que mora em Nova York, deve chegar amanhã ao Rio a tempo da cremação. O governador Sérgio Cabral divulgou nota de pesar, onde afirma que "o Rio e o Brasil sentirão muitas saudades de Maria Amélia Buarque de Hollanda".

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