Mãe de criação não consegue liberar corpo de atingido no Pavão-Pavãozinho

Edilson da Silva dos Santos saiu de casa ao saber da morte de DG e foi baleado na cabeça

Thaise Constâncio, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2014 | 18h24

RIO - Sem vínculo sanguíneo com Edilson da Silva dos Santos, de 27 anos, a mãe de criação dele, Simone Hilário, de 43 anos, não conseguiu liberar o corpo do rapaz no Instituto Médico-Legal (IML) para ser enterrado. Mesmo apresentando todos os documentos do rapaz, ele só será liberado nesta sexta-feira, 25, passadas 72 horas para que um parente biológico reclame o cadáver. Santos foi atingido por um tiro na cabeça na noite desta terça-feira, 22, durante protesto contra a morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos.

Simone conheceu Santos, que tinha problemas mentais, quando ele tinha 18 anos e dormia em uma Kombi na Rua Saint Romain, na entrada da favela. Mãe de sete filhos biológicos, ela alimentava o rapaz e permitia que ele tomasse banho na casa dela.

Depois de ser preso em flagrante por roubar alumínio de uma cabine da PM, Santos ficou três anos internado no Hospital Penitenciário Heitor Carrilho, um manicômio judiciário, no Estácio, zona norte do Rio. Nos fins de semana ele era levado pelos agentes do hospital para a casa da família de Simone que estava construindo um quartinho para ele nos fundos do terreno. "Ele gostava muito de jogar videogame e ficar na internet", contou a mãe de criação.

Vizinha e amiga da família, Luciana Firmino Santos, de 38 anos, disse que o rapaz era "uma pessoa muito boa". "Ele era meu amigo, um menino muito educado, alegre, não era nada violento".

Segundo Simone, na noite desta terça, o filho de criação saiu de casa ao saber da morte de DG e foi atingido na cabeça. Ela, que também considerava o dançarino como um filho, afirma que perdeu os dois filhos de criação vítimas da violência policial no morro do Pavão-Pavãozinho, em 24 horas.

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