Mãe de Eloá é acusada de seqüestrar filho do 1º casamento

Irmão de Eloá teria sido levado pela mãe durante a fuga com Everaldo, afirma comerciário de Alagoas

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

27 Outubro 2008 | 14h38

O comerciário Ronaldo Jorge dos Santos, primeiro marido da comerciária Ana Cristina Pimentel da Rocha, mãe da adolescente Eloá, morta após quase 101 horas de seqüestro em Santo André, fez revelação surpreendentes à imprensa alagoana no último fim de semana. Ronaldo acusou a ex-mulher de ter seqüestrado o filho que teve com ele. Ronickson Pimentel dos Santos teria sido levado para São Paulo quando Ana Cristina fugiu com Everaldo Pereira dos Santos, pai da Eloá. À época, o menino tinha 7 anos e Everaldo estava fugindo da polícia, como ele mesmo admitiu em entrevista à imprensa paulista.   Veja também: Ela sabia que não ia sair viva dali, afirma Nayara sobre Eloá Polícia finaliza inquérito e indicia Lindemberg e pai de Eloá Perguntas e respostas sobre o caso Eloá  Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá           O pai da Eloá pertencia à Polícia Militar de Alagoas. Ele é o cabo PM Everaldo e está respondendo a um processo por deserção. Quando ele fugiu, era acusado de participação na morte do delegado Ricardo Lessa, assassinado em outubro de 1991, junto com o motorista Antenor Carlota. O delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa, foi morto porque investigava os crimes da "gangue fardada", uma organização criminosa comandada pelo ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, que está preso no presídio militar do Rio de Janeiro.   O cabo Everaldo responde por crimes atribuídos à "gangue fardada". Segundo a polícia alagoana, ele teria participação em pelo menos dez crimes, entre eles o da ex-esposa Marta Lúcia Alves Vieira, encontrada assassinada com requintes de crueldade, em abril de 1993, em um canavial do município de Pilar, a 35 km de Maceió. Segundo Claudilene e Rita de Cássia Vielira, irmãs de Marta Lúcia, o pai de Eloá é o principal suspeito do crime, já que a vitima foi vista entrando no carro dele, quinze dias antes de ser encontrada morta. As irmãs de Marta disseram que a Polícia Civil de Alagoas já foi acionada e o inquérito da morte da ex-mulher do cabo Everaldo será reaberto.   Medo de represália   O comerciário Ronaldo Jorge também disse ter ficado calado durante todos esses anos com medo de represália por parte do cabo Everaldo, que era considerado um dos "meninos de ouro" do ex-coronel Cavalcante, antes da "gangue fardada" ser desbaratada, em meados dos anos 90, em Alagoas. Na época, a gangue fardada intimidava, porque era acusada de vários crimes de pistolagem, roubos e desmanches de carros. No entanto, já que tudo veio à tona, com o caso Eloá, Ronaldo resolveu se posicionar e diz que vai correr atrás para garantir uma reaproximação com Ronickson, seu filho com Ana Cristina.   Ronaldo apresentou toda a documentação que comprova o relacionamento que teve com Ana Cristina Pimentel, da certidão de casamento com a mãe de Eloá à papelada para o divórcio. Ele também tem uma cópia do registro de nascimento de Ronickson, cujo nome foi assentado no livro 53, do Cartório do 2º Distrito, no bairro do Jaraguá, em Maceió. O filho de Ronaldo e Ana Cristina, Ronickson nasceu no dia 21 de junho de 1987, na maternidade Santa Lúcia, que mudou de nome para Hospital São Rafael, mas funciona no mesmo endereço, no bairro do Poço, em Maceió.   Segundo o pai biológico de Ronickson, a separação com Ana Cristina ocorreu dentro da normalidade, foi feita de forma pacífica, consensual. Ele disse inclusive que teria assumido perante a Justiça o pagamento da pensão alimentícia, mas o dinheiro depositado na conta corrente do banco em nome do filho nunca teria sido sacado por Ana Cristina. "Talvez por conta da fuga dela com o cabo Everaldo e, provavelmente, para a polícia não descobrisse onde eles estavam moravam", comentou o comerciário, que não vê a hora de reencontrar o filho.

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