Mãe de inglesa esquartejada diz que brasileiro queria cidadania

Durante o desabafo de Anne Marie Burke, feito em Londres, ela disse confiar na justiça brasileira

Solange Spigliatti, estadao.com.br

11 Agosto 2008 | 09h12

Aos 54 anos, Anne Marie Burke acredita ter envelhecido o dobro desde que soube do destino da filha, a inglesa Cara Marie Burke, morta e esquartejada por Mohammed D'Ali Santos, em Goiânia, no fim de julho. Em entrevista ao Fantástico, ela disse que o jovem brasileiro pretendia se casar com a filha dela com o objetivo de conseguir cidadania britânica. Ela diz que busca se amparar no carinho de conhecidos e de estranhos.   "Muitos brasileiros se dizem tristes e, ao mesmo tempo, envergonhados. Mas eu sempre respondo: vocês não precisam ter vergonha pelo que aquele demônio fez com minha filha, porque não há na Terra outra pessoa tão ruim", diz Anne.   Ela fala de Mohammed D'Ali dos Santos, o goiano de 20 anos de idade que confessou ter matado e esquartejado Cara, e de ter jogado o corpo dela, depois, em um rio, dentro de duas malas. "Não nego que ela era uma menina um tanto rebelde. Mas eu sei que era apenas uma adolescente normal. Era simples, falava com qualquer pessoa, fazia amigos com facilidade", conta.   Durante a entrevista, Anne diz que não conheceu o namorado da filha. "Não, ele nunca quis me visitar. Nem a mãe dele. Simplesmente seduziram minha filha, que passou a ficar mais na casa deles do que na minha. Tiraram meu bebê de mim. Um dia ela disse que iria de férias ao Brasil. Eu respondi: só se for por cima do meu caixão. Mas ela tinha mais de 16 anos, era maior de idade pelas leis britânicas", diz Anne.   Segundo a mãe, Cara estava hipnotizada, completamente apaixonada por Mohammed. Mas, ela afirma que por outro lado, havia um plano da família do rapaz para tirar proveito dos sentimentos da menina. Cara conheceu Mohammed em um parque em Hackney, na região norte de Londres, onde o rapaz morava. Ele jogava futebol com amigos; ela foi dar um passeio. Teria sido amor à primeira vista.   Só que algumas semanas depois, Mohammed foi preso e deportado porque vivia ilegalmente na cidade. A mãe dele, Ivany, que também é imigrante ilegal e trabalha como faxineira em Londres, decidiu comprar a passagem de Cara, para ela ir se encontrar com o filho em Goiás. O objetivo seria o casamento dos dois jovens. Com isso, Mohammed poderia adquirir a cidadania britânica e voltar legalmente para Londres. No Brasil, Cara mudou de idéia. Ligou para a mãe e pediu ajuda para voltar para Londres sozinha. Uma passagem chegou a ser comprada, mas a menina foi assassinada antes da data do embarque.   Em Goiânia, um dos advogados do rapaz negou o suposto interesse em um casamento em troca de visto. "Não, a mãe dele nunca interferiu na vida de Mohammed. Tanto que ela nem sabia que ele era dependente de drogas. Mohammed sempre teve uma vida isolada em relação a essa situação da mãe, nunca houve nenhum tipo de pressão por parte dela para que isso acontecesse", afirma o advogado de Mohammed, Carlos Augusto Trajano.   Agora ela espera agilidade na liberação dos restos mortais de Cara. Promete um grande funeral para ela. "Confio na Justiça brasileira. Eu soube que no Brasil a pena máxima é de 30 anos. Espero que ele fique na cadeia todo esse tempo, que não seja beneficiado por nenhuma regalia e que conviva com esse peso na consciência", diz dona Anne.

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