Mãe de menina morta na Itália se recusa a depor

Simone Moreira é acusada de envolvimento no assassinato da garota, que morreu afogada

Assimina Vlahou, BBC

09 de setembro de 2009 | 11h24

A brasileira Simone Moreira, de 22 anos, presa na Itália desde sábado sob a acusação de ser responsável pela morte da filha, Giuliana Favaro, de 2 anos, se recusou a responder às perguntas dos investigadores nesta quarta-feira, 9. Seguindo orientação dos advogados, Simone valeu-se do direito de ficar em silêncio, garantido por lei, e não deu respostas às perguntas do juiz responsável pela audiência, Umberto Dona.

 

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A brasileira foi levada do presídio de Belluno, no norte da Itália, onde esta detida desde sábado, ao Palácio de Justiça de Treviso logo cedo para o interrogatório, mas deixou o prédio minutos depois. Na saída do tribunal, os advogados de Simone não fizeram declarações à imprensa. "Simone está em estado de choque", informaram funcionários do consulado do Brasil em Milão que acompanham o caso. O consulado tem contato apenas com os advogados da brasileira, sobretudo para fornecer a documentação necessária para que ela possa usufruir da defesa gratuita.

 

O cônsul brasileiro em Milão, embaixador Luis Henrique da Fonseca, no entanto, obteve nesta quarta-feira autorização do procurador de Treviso para visitar Simone no presídio de Belluno. "Esta autorização, obtida graças à intervenção pessoal do embaixador, foi até uma surpresa para nós, porque não é comum", disse um funcionário do consulado à BBC Brasil. A visita devera ocorrer na quinta ou na sexta-feira. "Sabemos que ela está sendo bem tratada no presídio de Belluno, mas é sempre bom a gente dar uma olhadinha", comentou o funcionário.

 

Conforme informações do consulado, os advogados de Simone devem pedir a libertação da brasileira até o fim de setembro. Os defensores acreditam que não existem provas suficientes para justificar a permanência dela na prisão. Na avaliação do procurador da República de Treviso, Antonio Fojadelli, no entanto, Simone Moreira é responsável pela morte da filha.

 

Morte 

 

Giuliana Favaro morreu na quarta-feira passada na cidade de Oderzo, na região de Treviso, no norte da Itália, ao cair no rio Monticano. A morte foi decorrente de "asfixia por afogamento", segundo dados preliminares da autópsia, cujo resultado oficial será divulgado na semana que vem. O procurador não acredita na versão fornecida pela mãe da menina de que a morte teria sido um acidente.

 

Ao falar com seu advogado no domingo, Simone teria repetido que a morte da filha foi um acidente, como já havia dito em seu primeiro depoimento à policia, na noite de quarta-feira. Simone teria afirmado que estava com a filha no colo, mas a teria posto no chão para buscar os sapatos no carro e ver se havia mensagens no celular. Quando voltou, Giuliana tinha desaparecido.

 

O funeral de Giuliana Favaro deve acontecer nesta quarta-feira às 16h (11h, horário de Brasília), na cidade de Ponte de Piave, na Itália. A cerimônia será celebrada na paróquia da cidade, que fica próxima a Vigonovo, onde Giuliana morava com o pai, o italiano Michele Favaro, que ficou com a guarda da menina após se separar de Simone. Um cartaz com o anúncio da data do funeral foi afixado nas ruas de Vigonovo nesta terça-feira. Nele, o pai pede a quem participar da cerimônia que use roupa azul, a cor preferida de Giuliana.

 

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