Mãe de menino morto diz que perdoa pai dos assassinos

Nesta terça-feira, dia em que rezou a missa pelo sétimo dia da morte de seu filho, a comerciante Rosa Cristina Fernandes, mãe do menino João Hélio Fernandes, disse que perdoa os pais dos jovens que assassinaram seu filho, na última quarta-feira, 7. "Não culpo os pais, porque eles não têm responsabilidade por estes atos de irresponsabilidade e má conduta dos filhos", afirmou Rosa, muito emocionada, em entrevista à Rádio Globo. As desculpas foram uma resposta às declarações feitas pelos pais dos assassinos, que chegaram a ajudar a entregá-los à polícia. Ela frisou que aceita os pedidos de desculpas feitos pelos pais de três dos cinco rapazes acusados, mas ressalvou que, para o crime, não existe perdão. Chorando muito, Rosa convocou a sociedade a lutar contra a violência: "A hora de mudar é agora. Não é pra mim, é pro povo brasileiro. O povo brasileiro tem que se unir para que, juntos, possamos sensibilizar todos os governantes e cobrar soluções reais para que o Brasil mude." Rosa também pediu que se intensifique o policiamento das ruas. "Tem que ter mais policiais nas ruas e a polícia tem que ser mais valorizada." Ao dizer que perdoava os pais dos criminosos, Rosa se referia ao desabafo de Nilson Nonato da Silva, pai de dois dos acusados: E., de 16 anos, e Carlos Eduardo Toledo Lima, o Dudu. Ele os entregou à polícia na semana passada e pediu desculpas à família da vítima. Na ocasião, disse que sentia a dor dos pais de João Hélio. "Estou muito triste em saber que foi o meu filho e ouvir isso dos lábios dele", declarou. Mãe de E. e de Dudu, a técnica de enfermagem Maria (ela pede para não ser identificada pelo nome completo) foi além: "Gostaria de ter enterrado os meus filhos. Gostaria de estar no lugar dela (Rosa). Minha dor é pior do que a dela, só de pensar que um dos meus filhos pode ter feito aquilo." Keginaldo Marinho da Silva, pai de Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, outro integrante do bando, também se mostrou indignado com o que rapaz fez - tanto que ajudou a polícia a capturá-lo. "Não me arrependo do que fiz. Não compartilho desse crime bárbaro. Ninguém aceita uma coisa dessas", justificou.

Agencia Estado,

13 Fevereiro 2007 | 18h58

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