Pietra Fotografia
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Mãe de quíntuplos: Um é bom, dois é melhor ainda e cinco 'é demais, é maravilhoso, incrível'

Mariana Mazzelli, de 35 anos, deu à luz no último dia 4 após procedimento de estimulação ovariana com coito programado; crianças passam bem

Vinicius Rangel, Especial para o Estado

11 de junho de 2019 | 15h22

VITÓRIA - O começo era esperançoso, Mariana Mazzelli, de 35 anos, tentou engravidar durante um ano, mas não teve sucesso. Há oito meses, ela resolveu apostar em um método que induz a ovulação. Passaram 15 dias e o resultado não poderia ser melhor: positivo. Mariana confirmou dias depois que estava esperando quíntuplos.

“Foi inacreditável, eu fiquei em choque. Estávamos esperando um só, ou até gêmeos, mas não cinco. Descobrimos durante o exame de ultrassom, em uma clínica particular. Foi um susto, mas o Jayme me acalmou. Ele está me dando maior força desde o início. A nossa ficha está caindo agora”, disse Mariana. 

A gerente administrativa, que trabalha no cartório da família, em Guarapari, região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, contou para a família em seguida. Ela revelou que como não tinha condições de fazer a inseminação recomendada pelo médico, por ser caro, tentou a outra opção.

“Passamos um período de tentativas sem sucesso. Resolvemos então procurar uma clínica especializada em fertilização. Passamos por uma bateria de exames e descobri que, aos 34 anos, eu estava com baixa reserva de óvulos. Fique triste ao saber da notícia, mas não desisti e procurei saber como eu poderia mudar isso. Foi ofertada a opção de inseminação artificial, mas achamos muito caro e eu resolvi apostar em um método chamado ‘coito programado’, que nada mais é do que a indução da ovulação através de umas injeções subcutâneas de hormônios”, contou Mariana.

De acordo com o médico responsável pelo tratamento de Mariana, Carlysson Moschen, o tratamento tem, como principal objetivo, promover o crescimento e a liberação dos folículos nos ovários.

“Nesse tipo de tratamento, o índice de gravidez é de aproximadamente 25%. Utilizamos medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento de folículos na mulher, acompanhamento com ultrassonografia endovaginal até o momento de desencadear a ovulação. Com esse crescimento, é necessário utilizar uma medicação para “romper” o folículo e liberar o óvulo, para que a trompa capte o óvulo. Neste momento, orientamos o período em que o casal deverá ter a relação sexual - geralmente, são dois dias seguidos”, explicou Carlyson Moschen, médico e diretor clínico da Unifert.

A estimulação ovariana com coito programado é uma das primeiras técnicas a serem apresentadas para uma mulher que está apta a engravidar, mas não está produzindo óvulos de forma adequada.

"Inicialmente, a gente seleciona a técnica mais barata e mais parecida com o natural. Se não ter certo, a gente tenta a inseminação ou a fertilização in vitro", explica Hitomi Nakagawa, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) A especialista diz que, com a estimulação - realizada com medicamentos, 80% das mulheres conseguem ovular.

"Mas só uma parte consegue engravidar. Dependendo do número de óvulos, há em torno de 10% de chance de ter gestação múltipla, mas de dois (bebês)."

Diretor da Clínica Gera, Joji Ueno diz que, quando a técnica é adotada, é fundamental acompanhar a produção de óvulos por meio de ultrassonografia para definir o momento adequado para que a mulher tente engravidar.

"Quando a paciente toma o indutor, a gente quer que ela tenha um a dois folículos. Quando tem mais, o ciclo pode ser cancelado pelo risco de gravidez múltipla. A orientação é não tentar engravidar naquele momento e tentar uma nova estimulação."

Mariana fez o procedimento uma única vez e o resultado veio na primeira fase. Ela e o marido compraram um teste de gravidez em uma farmácia perto de casa. “A gente pulava, se abraçava, ria e chorava. Tudo ao mesmo tempo. Era novembro do ano passado. Assim que virou o ano, marquei o exame de sangue, para ter certeza mesmo que estava grávida”, contou Mariana.

Surpresa

Após alguns dias, a gerente administrativa marcou um ultrassom, mas, como a gestação era recente, as imagens não mostravam nada. Dez dias se passaram e o casal fez novamente o exame que mostrou uma surpresa: na barriga de Mariana existiam cinco bebês. O casal, depois da descoberta, contou com o apoio da médica Anna Lucia Silva Campos, que fez parte da equipe de médicos durante a gestação.

“Durante o exame de ultrassonografia, a médica, surpresa, disse que estava vendo três corações batendo aqui dentro de mim. Comecei a tremer, já não conseguia nem falar direito. Meu marido, que estava sentado ao meu lado, pulou da cadeira, incrédulo, olhando fixo para a tela do exame. Mas a surpresa não parava por aí. Assustada, a doutora disse ainda, minutos depois, que estava vendo mais dois bebês. ‘Você está grávida de quíntuplos! ’, disse. Quase caí da maca. Não sabia como poderiam caber cinco bebês dentro de mim”.

O susto veio com sentimento de alegria. O momento era de pensar como seria a vida deles daquele momento para frente. Momento de começar a preparar toda a rotina para receber cinco novos integrantes. Com 14 semanas de gestação, veio a notícia dos sexos dos filhos: dois meninos e três meninas, duas univitelinas. Os nomes foram Jayme (em homenagem ao pai), Benício, Bella, Laís e Beatriz. Foi uma alegria para toda a família, que se mobilizou para qualquer ajuda que o casal precisasse. As roupinhas para o enxoval chegaram nos primeiros dias.

Parto envolveu 36 profissionais

Na última terça-feira, 4, as crianças nasceram na maternidade Unimed Vitória. “Missão cumprida, estamos felizes demais. Foram 28 semanas até o nascimento. Agora é só alegria e ficar firme para enfrentar os próximos desafios. Mas já somos vencedores” enfatizou o pai Jayme Vila Real.

O parto durou cerca de uma hora, foi rápido. Laís e Beatriz foram as bebês que tiveram o menor peso, uma com 450 g e a outra com 430 g. Benício chegou com 755 g, Bella teve 900 g e o maior, Jayme, veio ao mundo com 1.060 kg.

“Foi uma gravidez complexa, de alto risco, mas que terminou bem. Foi tudo bem planejado e executado bem. Tivemos 36 profissionais envolvidos, entre médicos, enfermeiros e assistentes. Laís e Beatriz respiram com ajuda de aparelhos, por serem as menores, mas todos estão bem. As crianças estão na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal e devem deixar o hospital em até 90 dias”, contou o médico obstetra Marcio de Oliveira.

Mariana sabe que agora é a hora da paciência e de cuidados redobrados. Mamãe e papai, que só queriam um filho ou dois, em breve vão voltar com cinco crianças.

“Cinco é demais, é maravilhoso, incrível. É muita emoção. Mudou a nossa vida de cabeça para baixo, vamos ter que trocar de carro, nossa casa vai mudar, tá todo mundo se mobilizando, querendo participar, doando fraldas, mudou tudo, para melhor”, disse Mariana. /COLABOROU PAULA FELIX

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