Mãe diz que jogou filha pela janela porque não queria cuidar

Avó da vítima afirmou que filha tem transtorno bipolar; polícia pediu exames de sanidade mental

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 19h34

Alegando incompetência para cuidar da filha de 8 meses, a enfermeira Tatiane Damiani, de 41 anos, confessou ter jogado a criança pela janela do 6.º andar de um edifício no centro de Curitiba, onde as duas moravam, na segunda-feira, 30, à noite. A menina morreu ao se chocar contra a laje lateral do prédio. "Eu queria me livrar da Mariana, eu não queria cuidar, não queria trocar", afirmou nesta terça-feira, 1º. A polícia pediu exames de sanidade mental, mas já a indiciou por homicídio doloso. Tatiane tem curso superior de enfermagem e deveria ser levada ao Complexo Penal Feminino, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba.   Em uma entrevista nesta manhã, ela não apresentou nenhum argumento consistente para seu ato. Com ausência total de fator emotivo, ela disse apenas que queria se "livrar" da filha. "Achava que entre nós não existia nada." Uma afirmação contestada pela mãe de Tatiane, Raquele Damiani. "Ela tinha cuidado com a criança", disse a avó, que saiu às 19 horas de Colorado (RS) e chegou em Curitiba nesta manhã, momento em que ficou sabendo da tragédia.   Segundo Raquele, quando a criança nasceu, ambas ficaram por quatro meses no Rio Grande do Sul. "Ela sempre cuidou dela; eu nunca dei banho, sempre ela deu banho, era bem cuidada; nunca, nunca, nunca judiou dela", afirmou. Entre os moradores do prédio também não apareceu nenhum que criticasse as atitudes de Tatiane em relação a eles ou à criança.   Na entrevista, a enfermeira disse que já esteve internada para tratamento psiquiátrico e que fazia uso de medicamentos. "Vamos investigar até que ponto a história da acusada é verdadeira", disse a delegada. A mãe de Tatiane afirmou que a filha tem transtorno bipolar (um distúrbio psiquiátrico cuja principal característica é a acentuada oscilação de humor), mas garantiu que ela fazia tratamento. "Não sei se parou de tomar o remédio".   No sábado, 28, ela tinha conversado por telefone com a filha e avisou que vinha visitá-la. "Ela disse que era bom porque estava meio esquecida", afirmou. "Mas a gente depende de passagem, de ônibus, e cheguei atrasada." O pai da criança, Sérgio Teixeira, esteve no Instituto Médico-Legal (IML) para liberar o corpo da criança, a fim de sepultá-lo em Piraquara, onde mora. Ele não quis falar com a imprensa.   Tatiane disse ter conhecido Teixeira quando ele esteve internado no Hospital de Clínicas. Eles não moravam juntos. De acordo com Raquele, os dois se viam a cada 15 dias, mas conversavam por telefone semanalmente. A delegada descartou qualquer participação do pai na morte da criança. "A autoria e a materialidade já estão comprovadas", acentuou.

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