Mãe e filha se reencontram, após 38 anos

A enchente de 1966, uma das piores que o Rio já viveu, foi um marco na vida de Vanda de Melo, de 66 anos. E não só porque a água destruiu sua casa e desabrigou a família. Vanda foi afastada da filha, Sara, que só voltou a ver ontem. Ela conta que a família foi levada para o Estádio do Maracanã. Um dia, apareceu por lá uma mulher chamada Dirce, que levava agasalhos. Ela e os filhos se encantaram com Sara e se ofereceram para cuidar dela. "Eu deixei. Não abandonei. Não criei a menina porque não pude. Ainda vi minha filha naquele ano, mas eles se mudaram e sumiram", contou Vanda. O reencontro foi possibilitado pelo Serviço de Descoberta de Paradeiros da Delegacia de Homicídios, para onde um dos oito filhos de Vanda, o metalúrgico Marco Antônio Monteiro Batista, de 37 anos, mandou uma carta. No Natal, os investigadores conseguiram encontrar a moça, hoje uma psicóloga de 39 anos. Mãe e filha se abraçaram na sala do serviço. Foi Sara, que é casada e tem um filho de 17 anos, quem preferiu que o encontro fosse depois do fim de ano. "Nunca imaginei que isso aconteceria. É difícil definir a sensação." Ela contou que a família que a criou, de classe média, não lhe escondeu a verdade. Mas a psicóloga nunca tentou encontrar a mãe verdadeira. Até Dirce morrer, há cinco anos, ela nem cogitava essa hipótese. "Com a morte dela, me senti liberada emocionalmente."

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