Mãe entrega jovem acusado de matar médica

Adolescente de 14 anos teria sido reconhecido por testemunhas; mulher diz que filho estará mais seguro entregue à Justiça do que em casa

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

Um adolescente de 14 anos foi levado pela própria mãe até policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) anteontem. Ele é suspeito de participar da tentativa de assalto que terminou com a morte da ginecologista Nadir Oyakawa, de 54 anos, em dezembro, no Rio Pequeno, zona oeste da capital. Ele teria sido reconhecido por um parente da vítima como o autor do disparo.De acordo com a polícia, a mãe do garoto disse que acredita na inocência do rapaz, porém estava se sentindo pressionada por comentários de vizinhos e com a presença diária de viaturas no lugar onde mora, na Favela do Sapé, perto do local do crime. Por isso, preferiu entregar o filho, acreditando que ele ficará mais seguro sob os cuidados da Justiça.Segundo o delegado divisionário do DHPP, Marcos Carneiro, o garoto também foi reconhecido por outras testemunhas, mas nega ter cometido o assassinato. Carneiro disse que outra prova "contundente" contra o menor é uma série de imagens feitas por câmeras de segurança perto do local do crime, em que ele aparece com uma arma na noite do crime. FUNDAÇÃO CASAO adolescente apreendido já havia sido internado na Fundação Casa por tráfico de drogas e cumpria liberdade assistida. Ontem ele foi ouvido por promotores de Justiça e apresentado ao juiz - que terá até cinco dias para divulgar qual medida socioeducativa será aplicada. Enquanto isso, o adolescente ficará na Unidade de Atendimento Inicial, no Brás.Outros dois rapazes envolvidos no assassinato da médica estão soltos. Segundo Carneiro, um jovem de 24 anos se apresentou à polícia, mas, como não foi reconhecido pelas testemunhas, está só sendo monitorado. Um menor de 13 anos já foi identificado, mas continua foragido. Tanto o menor entregue pela mãe como os dois supostos cúmplices chegaram a ser detidos pela PM logo após o assassinato. Eles voltaram à cena do crime para confirmar a morte da médica e chamaram a atenção de uma vizinha, que ligou para a polícia.Na ocasião, os PMs chegaram a mostrá-los para a sobrinha da médica, mas ela estava muito abalada e não os identificou. Os policiais anotaram os nomes e tiraram fotos dos suspeitos. Nadir foi morta na frente da casa do irmão, na Rua Doutor João Vieira Neves, na noite de 13 de dezembro. A médica se negou a abrir o vidro do carro e reagiu, buzinando e gritando para que os sobrinhos não saíssem de casa. Um dos assaltantes disparou contra ela. A bala atingiu o rim de Nadir, que não resistiu à hemorragia e morreu.

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