Mãe espera neve baixar para achar estudante

Rodrigo Oleinski desapareceu em outubro, ao escalar vulcão na Bolívia

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Além das dificuldades que parentes de desaparecidos enfrentam para encontrá-los, a família Oleinski teve sua angústia aumentada por causa de condições climáticas. "Nos sentimos impotentes. Quero ajudar nas buscas do meu irmão, mas está tudo suspenso porque é temporada de neve", diz Rubens, de 31 anos. Rodrigo, de 25, sumiu na Bolívia no fim de outubro após avisar amigos que escalaria o Monte Sajama.Dias antes, ligou para seus pais, em Canoas (RS), pedindo R$ 300 para a expedição. "Ele estava contente porque tinha comprado o colchão térmico e alimentos", diz Maria Cecília, de 59 anos, mãe do aluno de Teologia da Faculdade Adventista de Cochabamba. Logo após o desaparecimento, Rubens foi para a Bolívia e, no primeiro dia, enquanto conversava com guardas ambientais, uma nativa da região do Sajama entregou uma mochila. "Comecei a mexer e gelei quando encontrei a carteira dele. Estava com todos os documentos e dinheiro." Mesmo com poucos recursos, a família continua a gastar com viagens e equipes de resgate. "Um alpinista veio na minha casa e disse que quebrou o pé no Sajama e que uma tribo ficou cuidando dele. O mesmo está acontecendo com o meu filho", diz Maria Cecília. Em fevereiro, Rubens voltará à Bolívia.INTERCÂMBIO"Se tivesse recebido um corpo, eu iria sofrer bastante, porque amo demais a minha filha, mas isso (o desaparecimento) é morrer aos poucos", diz Tânia Vicentini, de 44 anos, de Goioerê (PR). A sua filha Carla desapareceu há quase três anos, quando fazia intercâmbio em Newark (EUA). As investigações do FBI - a polícia federal americana - não chegaram a nenhum resultado.No dia 9 de fevereiro de 2006, Carla, que era estudante de Engenharia Têxtil, chegou do trabalho e passou em um bar, onde trabalhava a garota com quem dividia apartamento. Depois de um tempo, pediu ao dono para avisar a colega que iria para casa. Não foi mais vista. Testemunhas disseram que ela saiu com um homem de olhos azuis e cabelos grisalhos.Tânia diz que a polícia americana só entrou no caso dez dias depois. "Os primeiros dias são os mais importantes e eles esperaram porque achavam que ela tinha sumido por vontade própria." O FBI entrou no caso após duas denúncias de que uma jovem havia sido arrastada num motel de beira de estrada em outro Estado.A mãe de Carla foi aos EUA e tentou refazer o provável caminho da filha. Telefonava diariamente ao consulado brasileiro em Nova York e para a polícia. Até hoje, liga para a Embaixada americana. As investigações estão paradas.SEPARAÇÃOHá mais de 20 anos, Beatriz e Eliana Almeida buscam notícias do irmão. Em 1981, Ézio conheceu a americana Sharon Gonzáles no Brasil durante o carnaval. Após um tempo no País, os dois foram viver na Califórnia.Ézio pouco ligava, mas escrevia para relatar o crescimento dos dois filhos. Em 1986, o casal se separou e ele foi morar com um amigo. "Ele dizia que estava bem e dois anos depois telefonou para dizer que viria no Natal. Foi a última vez que tivemos notícias. As cartas agora voltam", diz Eliana.A família continuou mantendo contato com Sharon e os filhos. As correspondências só começaram a ficar escassas na medida em que elas pediam informações de Ézio. Depois de um tempo de sumiço, os filhos de Eliana descobriram o e-mail dos garotos. Os dois respondem perguntas sobre eles, mas ignoram questionamentos sobre o pai. "Pedimos para amigos que moram lá ver o que aconteceu. Como uma pessoa pode sumir há 20 anos e ninguém saber nada?", pergunta Beatriz.

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