Mãe mantém filho acorrentado há dois meses em Manaus

Há dois meses a diarista Celina Santos, 36 anos, mantém o filho de 15 anos acorrentado em um colchão de solteiro em sua casa, na Colônia Antonio Aleixo, zona leste de Manaus. Conforme informou ao jornal A Crítica, essa foi a única maneira de manter o filho vivo, longe das gangues e das drogas. Segundo a diarista, o menino é viciado desde os 12 anos em mel, uma mistura de maconha e pasta base de cocaína. Ela tomou a decisão depois que o filho teve a quarta overdose. A casa é simples, de madeira. O colchão de solteiro fica no chão. Ao lado, um penico para o menino não precisar sair nem para ir ao banheiro. No pé, a corrente, presa ao chão de madeira por um cadeado, o mantém "seguro", deitado dentro de casa. Segundo entrevista, para a mãe, deixar o filho sair à rua significa voltar às drogas. Semana passada, ele conseguiu escapar e vendeu o ferro de passar roupas da mãe por R$ 5 e comprou um papelote de cocaína. Há alguns meses Celina já havia procurado ajuda na prefeitura, que enviou um psicólogo a sua casa. Mesmo assim, não conseguiu que o filho fosse enviado para uma clínica de recuperação. A diarista tentou ainda ajuda com políticos locais que também não ajudaram. Segundo ela, a última tentativa de ajudar o garoto foi denunciando a situação à imprensa. Desde que decidiu cuidar do filho, mesmo sem as mínimas condições, Celina deixou de lado o trabalho. A mãe se dedica ao filho em tempo integral. Deitado no colchão, o garoto também pede ajuda. A casa está longe de ter a estrutura necessária para cuidar de uma doença séria como a dependência química, mas ele sabe que as amarras da corrente e a dedicação da mãe são o que o mantém vivo.

Agencia Estado,

04 Fevereiro 2007 | 22h35

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