Mãe que abandonou bebê em bueiro é detida

A mãe do bebê recém-nascido encontrado num bueiro na manhã de sexta-feira (09), em Ribeirão Preto, foi detida ontem (14) de madrugada, após uma denúncia anônima. Eliane Ferreira da Silva, de 31 anos, que saiu de Sorocaba e mora desde 1985 na cidade, estava num ponto de prostituição e foi levada à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Depois de inicialmente negar o abandono, ela confessou o ato e informou que esse é o seu quinto filho. Um deles está sendo criado por sua mãe, mas os outros três estão espalhados e criados em famílias diferentes. Ela foi liberada à tarde.Eliane disse à delegada Maria de Fátima Daia, da DDM, que, no momento do parto, ocorrido na rua, durante a madrugada, ela estava embriagada e drogada. Ela foi à sua casa, no Jardim Salgado Filho, onde mora, cortou o cordão umbilical e enrolou o bebê num lençol. Em seguida, saiu de casa, levantou a tampa do bueiro e depositou o bebê ali. Para a delegada, Eliane garantiu que não tinha intenção de matá-lo e que acreditava que alguém o localizaria, pois o recém-nascido chorava muito.Ela disse que voltou para buscá-lo, mas, quando viu a polícia no local, desistiu. Antônio Mamede da Silva, de 53 anos, alertado pelo genro, resgatou-o. O recém-nascido foi encontrado nu, com leves escoreações, e ficou em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Santa Lydia, até ontem (14), quando foi para o berçário. Eliane evitou as entrevistas, mas informou que espera que alguma família dê ao seu filho tudo o que ela não pôde dar, pois não tem condições de criá-lo.O filho mais velho de Eliane, de 14 anos, foi dado à dona de uma boate, que não mora mais em Ribeirão Preto. O de 11 anos está com sua mãe. Um de 6 foi dado a uma mulher que residia no bairro. O de 2 anos foi adotado legalmente, segundo ela. Agora, o novo bebê, identificado apenas como "RN Desconhecido", será encaminhado pela Justiça à adoção.Assim que tiver alta, o recém-nascido, que se recuperou uma leve pneumonia, será levado ao abrigo do Centro de Adoção de Ribeirão Preto (Carib), sob a supervisão do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente. Antônio da Silva alegou que gostaria de criá-lo, mas o juiz da Infância e da Juventude, Paulo César Gentile, disse que o encaminhará a uma das 80 famílias cadastradas e já avaliadas para o processo de adoção. O casal terá a guarda provisória do bebê até o final do processo.A delegada Maria de Fátima indiciou Eliane por abandono de incapaz, que prevê pena de seis meses a três anos de detenção. Mas, como não cabia o pedido de prisão temporária nem o de prisão preventiva, após o depoimento ela foi liberada. O inquérito terá seqüência na Justiça Criminal.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2001 | 16h58

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