Mãe que jogou bebê no quintal do vizinho diz estar arrependida

Recém-nascido sofreu escoriações no corpo e na cabeça; maranhense será indiciada

Carlos Mendes, especial para o Estado

27 de dezembro de 2010 | 16h57

BELÉM - A maranhense Elinalra Nascimento dos Santos, de 20 anos, que na noite da véspera do Natal atirou no quintal do vizinho, por cima de um muro de dois metros de altura, o filho que acabara de nascer, será indiciada em inquérito policial por abandono de incapaz, lesão corporal e tentativa de homicídio. O bebê, do sexo masculino, apresenta escoriações pelo corpo e cabeça. Ele saiu da UTI no domingo e foi transferido para a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) da Santa Casa de Misericórdia do Pará.

 

Os médicos do hospital informaram que o estado de saúde da criança é estável. Ela deve ficar em observação nos próximos treze dias, tomando antibióticos. A mãe, que confessa estar arrependida da crueldade contra o filho, também está internada na Santa Casa e passa por acompanhamento psicológico.

 

Foi um vizinho de Elinalra quem ouviu o choro do bebê por volta das 8h30 da manhã de sábado ao se dirigir ao quintal da residência. Ele acionou o Serviço Móvel de Urgência e Emergência (Samu), que levou a criança para o hospital. O conselheiro tutelar Abner Lopes disse que o menino ficará sob a proteção do Estado, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

 

"Depois que ele receber todos os cuidados de saúde é que vamos ver a possibilidade de retorno para a mãe, ou para a família, ou mesmo para adoção por outra família. É o Juizado da Infância quem vai decidir isso", explicou Lopes.

 

Elinalra contou às assistentes sociais da Santa Casa que temia ser rejeitada pela mãe, que mora no Maranhão, porque havia sido advertida para não engravidar em Belém, para onde veio trabalhar como babá na casa da filha de uma tia. Para evitar problemas, escondeu a gravidez até na hora do parto.

 

"Esperei que todos saíssem de casa e fiz o próprio parto. Cortei o cordão umbilical e em seguida embrulhei o bebê em um saco plástico e o joguei por cima do muro. Não queria ficar com ele, mas agora é o que mais desejo", disse a mãe da criança. O delegado Glauco Nascimento afirmou que não descarta a possibilidade de pedir a prisão da mãe. "Foi um gesto de extrema crueldade", destacou.

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