Mãe só não tem ''coragem'' de levar o caçula ao farol

Nos relatos das crianças, os casos vão da exploração dos pais a falhas na rede de proteção. E.T.C.O., de 12 anos, e mais dois irmãos, de 9 e 14 anos, foram para o semáforo pela primeira vez para conseguir dinheiro do material escolar. Não saíram mais. Os R$ 440 que a mãe recebe de benefício previdenciário pela morte do marido não são suficientes para sustentar os quatro filhos. Só o mais novo, de 6 anos, ainda não trabalha, pois ela não teve "coragem" de levá-lo ao farol. O menino tem bronquite alérgica e, segundo a mãe, a doença é intensificada pelas condições insalubres do barraco "úmido e empoeirado por causa da rua sem asfalto" onde moram. Isso até que cumpram a ordem judicial de reintegração de posse que receberam, porque vivem em área de manancial próxima à Represa do Guarapiranga. Eles não têm aonde ir. O fim da linha desse conjunto de falhas na proteção à infância é o trabalho infantil. Coordenadora da Secretaria Municipal de Assistência Social, Renata Aparecida Ferreira diz que todas as famílias "foram cadastradas nos serviços disponíveis e as crianças, para serem atendidas nos horários em que estão fora da escola". "Mas as famílias não deixam porque esses meninos e meninas ganham R$ 40 por mês com o Peti contra R$ 40 por dia nas ruas. Precisamos de uma intervenção maior do Ministério Público e dos Conselhos junto a essas famílias." A Prefeitura deve encaminhar este mês portaria regulamentando o fluxo de atendimento e as funções de cada órgão, com relação ao trabalho infantil.

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