Mães denunciam ao MPE tortura na Febem

Cerca de 40 mães de internos da Febem de Franco da Rocha estiveram nesta segunda-feira no Ministério Público Estadual para denunciar supostas agressões sofridas por elas e pelos filhos no último sábado.As mulheres alegam que a violência partiu dos monitores, quando os adolescentes das unidades 30 e 31 resolveram interromper as visitas para chamar a atenção dos pais sobre as torturas de que estariam sendo vítimas.O sindicato dos funcionários nega as agressões e a alega que as mães saíram das unidades tranqüilamente. A Febem não confirma o tumulto e garante que a visita foi filmada. ?Uma análise prévia do material mostra que não houve qualquer tipo de conflito no local?, informou a instituição, em nota oficial.?Os meninos estavam todos machucados e queriam chamar a atenção. Eles tentaram interromper a visita, num movimento pacífico. Os monitores vieram de todas as outras unidades e começaram a nos agredir. Eu me protegi com cadeiras para não ser agredida?, afirmou a mãe de um interno.A confusão durou cerca de 10 minutos. Segundo Conceição Paganelli, presidente da Associação de Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Situação de Risco (Amar), as mães denunciaram que alguns monitores as agrediram com barras de ferro.?A situação das unidades da Febem continua dramática, com torturas e desrespeito às famílias. Os casos só não estão aparecendo porque os internos são reprimidos com muita violência?, afirmou Conceição.Os depoimentos das mães foram acompanhados pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. ?A situação em Franco da Rocha é muito tensa. Eles estão mantendo um modelo que não mais deveria existir, com superlotação e internos de todas as idades misturados?, afirmou Ariel de Castro Alves.Antonio Gilberto da Silva, presidente do sindicato dos carcereiros, afirmou que existe um movimento organizado de ?fora para dentro? com o objetivo de desestabilizar a unidade. ?Os meninos estão se autoflagelando e têm o mesmo discurso de tortura, embora não exista comunicação de uma ala com a outra.?Ele disse que os funcionários estão querendo abandonar a unidade em massa, com medo das acusações sem comprovação.

Agencia Estado,

04 de novembro de 2002 | 21h22

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