Máfia da merenda financiou políticos

Testemunha diz que ex-prefeita Marta Suplicy recebeu R$ 1 mi de cinco empresas para tentar se reeleger

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

05 Agosto 2009 | 00h00

A máfia da propina financiou campanhas políticas para a Prefeitura de São Paulo. Para conseguir abocanhar um orçamento que hoje é de R$ 464 milhões, as empresas são acusadas de corromper políticos importantes. Citados na ação do Ministério Público Estadual (MPE), trechos de um depoimento de uma testemunha mantida sob sigilo acusam a ex-prefeita Marta Suplicy de receber R$ 1 milhão de cinco empresas da máfia da merenda. O dinheiro teria sido dado para a campanha de Marta à reeleição em 2004. Naquele ano, outros candidatos também teriam recebido doações. Esses casos estariam em investigação na Procuradoria-Geral de Justiça - o procurador-geral Fernando Grella Vieira designou um assessor para apurar. A mesma testemunha afirma ainda que o ex-secretário municipal do Abastecimento Valdemir Garreta (gestão Marta) recebia propina "destinada a Marta Suplicy". Um ex-diretor de uma das empresas acusadas das fraudes afirmou aos promotores que ela "paga R$ 50 mil por dia de propina a agentes públicos mediante caixa dois formado mediante compra de notas fiscais adquiridas com fornecedores". De acordo com as investigações dos promotores, as comissões pagas aos corruptos são de cerca de 10% do valor cobrado da municipalidade. A fraude atingiria ainda outras sete cidades do Estado. Em todas, lobistas das empresas procuraram prefeitos ou secretários oferecendo o sistema de terceirização da merenda. Até o edital da licitação era elaborado ou manipulado pelas empresas, "que incluíam cláusulas que apenas elas podiam cumprir". "Esse esquema se mantém até hoje", afirmou o promotor Silvio Antônio Marques. No caso do pregão 73/2006, feito pela Prefeitura de São Paulo para contratar as empresas, os promotores mostram na ação que encontraram provas de que as participantes da licitação montaram um cartel. Um representante de uma dessas empresas teria descoberto o que a testemunha havia contado aos promotores e oferecido a ela os serviços de um advogado pago pela empresa. Um outra testemunha, José Pereira da Conceição Junior, ex-presidente do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), da Prefeitura de São Paulo, afirmou que os vereadores Paulo Fiorillo (PT), Claudete Alves (PT) e Jooji Hato (PMDB) fizeram uma encenação na Câmara Municipal durante a Comissão Parlamentar de Inquérito da Merenda. Eles teriam pedido que cozinheiras da Casa preparassem pratos como se fossem da merenda para que os outros vereadores degustassem a refeição municipal. A ideia seria mostrar que a merenda direta era de péssima qualidade e, assim, favorecer a terceirizada.

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