Máfia dos caça-níqueis tentou influenciar presidente do STF

A máfia dos caça-níqueis queria estender sua influência no Judiciário até mesmo à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie. Os documentos do inquérito da Polícia Federal incluem indícios de que o advogado Virgílio Medina, irmão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina, teria funcionado como uma espécie de coordenador da tentativa de influenciar Ellen Gracie, segundo reportagem do Estado desta quinta-feira, 19. Virgílio Medina chegou a apresentar-se como intermediário da presidente do Supremo para os integrantes da máfia. A assessoria da ministra informou que ela não vai comentar a suposta manobra do advogado porque o processo corre em segredo de Justiça. Conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça indicam que decisões de Ellen Gracie à frente do STF acabaram desagradando aos empresários dos bingos e juízes que participavam da máfia. Nas gravações, que integram o inquérito que deu origem à Operação Hurricane, Virgílio e o empresário Jaime Garcia discutiriam uma maneira de se aproximar de Ellen Gracie. ?Se conversasse com ela (que para a PF seria Ellen Gracie) em relação à competência... ela acata a decisão... isso é questão de competência?, afirma Jaime. ?Ela vai levar.... pra mim... recorrer dessa decisão para ela?, responde Virgílio. Em seguida, de acordo com a PF, ao ser indagado por Jaime se realmente acha que Ellen poderia intervir, Virgílio Medina diz: ?Vai levar a decisão... pagaria a pessoa jurídica, pagamento em conjunto, eu acho que esse não é um valor inviável, agora esse valor, eu acho razoável e eles vão entender, a gente pode explorar, eu acho que... questão, vamos fazer isso, então o valor é ...? Em outro trecho do grampo telefônico, Virgílio diz: ?Ela pode reconsiderar. Eu acho que ela vai julgar o agravo e vai dar.? Ainda em outra parte do inquérito de 2.878 páginas ao qual o Estado teve acesso, há mostras, segundo a PF, da insatisfação do grupo quanto a decisões de Ellen. Fica evidente, segundo o relatório, o objetivo da máfia de se concentrar na resolução dos problemas dos bingos e ?maquineiros? nos tribunais superiores. Negativa Ao longo da investigação, fica claro que as ações da ministra não atendem aos interesses dos bingos. Nas conversas telefônicas grampeadas, integrantes da máfia xingam a ministra. Em um trecho, um homem identificado como o advogado Sérgio Luzio reclama de uma decisão da ministra contrária ao grupo. ?A f.d.p. da Ellen Gracie cassou a decisão das nove empresas?, diz.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 08h05

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