Máfia dos combustíveis é suspeita de matar promotor

A chamada ?máfia dos combustíveis? continua sendo o principal alvo das investigações das polícias Civil, Militar e Federal sobre o assassinato do promotor de Justiça Francisco José Lins do Rego Santos, morto a tiros na última sexta-feira. A Procuradoria-Geral de Justiça, que também auxilia na apuração do crime, deverá entrar nos próximos dias com um recurso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) contra a liminar que concedeu habeas-corpus a oito pessoas,entre proprietários e gerentes de postos de gasolina da capital mineira e região metropolitana. No ano passado, o trabalho do Ministério Público Estadual (MPE) levou ao fechamento de 22 estabelecimentos naGrande Belo Horizonte, acusados de fabricar e colocar à venda combustível adulterado.O pedido de prisão preventiva, acatado no início de janeiro pelo juiz da Terceira Vara Criminal de Contagem, Geraldo Claret de Arantes, foi indeferido no último dia 18 pelo desembargador Tibagy Salles, relator do processo, sob o argumento de que os autos não preencheram os requisitos necessários. Promotores requisitaram nesta segunda-feira o processo e estudam um recurso contra a liminar concedida pelo desembargador. No MPE, no entanto, impera a lei do silêncio e ninguém quis confirmar o novo pedido de prisão preventiva. O advogado Rogério Rodrigues Urbano, que conseguiu o habeas-corpus dos indiciados, garantiu que caso a liminar seja cassada, seus clientes irão se apresentar à Justiça mineira. Ele voltou a questionar a existência de uma suposta ?máfia? que atuaria no setor de combustíveis. As investigações vêm sendo mantidas em sigilo pela força-tarefa, que reúne além do MPE, representantes da Secretaria de Estado de Segurança Pública, do comando da Polícia Militar e da Polícia Federal. Na tentativa de elucidar o assassinato, a PM vem desencadeando desde o final de semana grandes operações nas favelas da região metropolitana da cidade em buscas de suspeitos do crime. Pelo menos 930 policiais estão se revezando nas buscas. Porém, até o final da tarde de ontemninguém ainda havia sido preso.PerfuraçõesNesta segunda-feira, o perito do instituto médico legal de Belo Horizonte, José Mauro de Morais, disse que o corpo de Francisco Lins apresentava 17 perfurações de bala, sendo 14 de entrada e três de saída. O laudo final deverá ser apresentado dentro de uma semana.

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