?Máfia dos combustíveis? pode ter habeas-corpus cassado

A Procuradoria Geral de Justiça de Minas Gerais tentará, no início da tarde desta quinta-feira derrubar a liminar em habeas corpus que suspendeu o efeito de prisão preventiva de oito pessoas acusadas de pertencer à chamada "máfia" dos combustíveis adulterados, suspeita de estar por trás do assassinato do promotor Francisco José Lins do Rego Santos, morto a tiros na última sexta-feira, na capitalmineira. O pedido de prisão preventiva, acatado no início de janeiro pelo juiz da Terceira Vara Criminal de Contagem, Geraldo Claret de Arantes, foi indeferido no último dia 18 pelo desembargador Tibagy Salles, relator do processo, sob o argumento de que os autos não preencheram os requisitos necessários.Os denunciados são: Carlos Henrique Barros de Castro,Carlos Alberto Lunardi, Alessandra Alves Duarte Pereira, Caiser Alves Pereira, Juracy de Souza, Paulo Eduardo Braga Silva José Aurélio Cordeiro Tupinambá eAlexandre da Silva Costa.O Ministério Público deverá solicitar também que, por meio de um recurso, a outras três pessoas que na denúncia original não tiveram a prisão preventiva acatada pelo juiz de Contagem. Os denunciados foram acusados de sonegação fiscal, corrupção ativa e formação de quadrilha.O julgamento está previsto para se iniciar em junho próximo. Os promotores estão investigando também o juiz Denerval Vidal, que foi obrigado a se aposentar ano passado pela Corregedoria de Justiça por suspeita de corrupção.O juiz foi o responsável pela liberação de 500 mil litros de gasolina adulterada, apreendida em Contagem, o que suscitou a desconfiança do promotor assassinado. Nesta quarta-feira o juiz se negou a comentar o assunto. O juiz do segundo Tribunal do Júri, Edison Feital Leite, confirmou nesta quarta-feira que expediu mandados de prisão temporária e mandados de busca e apreensão, a pedido dos delegados que presidem as investigações doassassinato do promotor. Os pedidos podem ser feitos pelos próprios delegados ou pelo Ministério Público. Sob o argumento de qualquer informação poderá prejudicar os trabalhos de investigação, o procurador geral do Ministério Público, Nedens Ulisses Freire Vieira, concedeu uma entrevista coletiva inócua e repetiu que a força tarefa, formada por promotores e pelas polícias Civil, Militar, Federal, trabalha com as hipóteses de que o crime esteja relacionado com a atuação de Francisco Lins do Rego à frente do MP. "Não há dúvida que o assassinato do Francisco Lins foi ocasionado em razão de sua atividade profissional", afirmou. Nesta quinta-feira, será celebrada a missa de sétimo dia pela morte do promotor.

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