Máfia dos fiscais arrecada R$ 1,2 milhão com ambulantes em SP

A máfia dos fiscais movimenta R$ 1,2 milhão por mês em propinas. A conclusão é da própria Prefeitura de São Paulo. A Ouvidoria-Geral do Município realizou um levantamento com base em informações colhidas por uma estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).A aluna, que pediu para não ser identificada por temer represálias, prepara uma tese de pós-graduação. "Essa estudante apurou que os ambulantes do Centro Velho movimentam R$ 4,3 milhões em mercadorias por mês, sendo que 8% desse valor é para o pagamento de propinas", disse o delegado Luís Antonio Rezende Rebello, da Ouvidoria.As propinas seriam cobradas de ambulantes que montam suas bancas irregularmente em ruas do centro, do Brás, da Luz e da Liberdade. Sendo que duas vias têm destaque especial: as Ruas 25 de Março e José Paulino. "No centro novo, são movimentados R$ 2,3 milhões por mês, sendo que 7,4% desse valor é destinado a corrupção."A mesa de Rebello, em uma sala do 1º andar do prédio 270 da Rua Maria Paula, no centro, está coberta por dezenas de papéis com denúncias, mapas da corrupção, relatórios e nomes dos fiscais acusados. Material colhido durante oito meses de investigações. "Isso aqui parece o Triângulo das Bermudas. É uma loucura", brinca Rebello enquanto procurava uma informação."Já ouvimos os depoimentos de 25 funcionários acusados de cobrar propinas dos ambulantes", informou o delegado. "Abrimos sindicância administrativa e estamos preparando relatórios que serão anexados às denúncias que serão enviadas à Polícia Civil e ao Ministério Público Estadual."PreçoOs valores das propinas variam de R$ 10,00 a R$ 50,00 por dia. Depende do número de barracas e dos produtos que estão à venda. Nas Rua Direita e Barão de Itapetininga, onde não é permitido o comércio ambulante, existem 471 barracas. Nesses dois locais, a fiscalização arrecada R$ 113.040,00 por mês. "Os fiscais terceirizaram o recolhimento do dinheiro, que é feito por um ambulante legalizado", informou Rebello.Feijão, Gasparzinho, Federal, Picolé, Manga e Peito de Pombo são alguns que tiveram seus nomes identificados, mas estão sendo mantidos em sigilo. Cerca de 95% dos acusados ingressaram na Prefeitura como serventes e, durante a administração de Reynaldo de Barros, foram transformados em agentes administrativos de serviços gerais, conforme esclareceu o delegado.Rebello entende que, para reduzir a corrupção, a fiscalização deve ser feita por agente vistor com nível médio ou superior, concursado e com plano de carreira. "Com isso, a corrupção não vai acabar, mas o fiscal vai pensar duas vezes antes de fazer uma besteira", acredita.

Agencia Estado,

25 de julho de 2002 | 23h06

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