Máfia nigeriana começa a vender droga no Brasil

A máfia nigeriana, que se tornou a principal organização criminosa no envio de cocaína do Brasil para a Europa e países africanos, começou a investir pesado no mercado interno. Vende cocaína, pasta base de coca para fabricar pedras de crack e maconha para traficantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.James Okereke, de 34 anos, e Benjamin Atu Júnior, de 37, de Lagos, capital da Nigéria, foram presos nesta quarta-feira com maconha, uma pistola 380 e três celulares num bar da Avenida São João, no centro. Policiais do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Denarc, informaram que eles fazem parte de um setor da máfia dedicado ao ?mercado local?. O delegado Eduardo Nardi disse que Okereke e Atu foram denunciados porque vendiam maconha.FacilidadeSegundo a polícia, os nigerianos têm facilidade para trazer cocaína da Colômbia para o Brasil. Por ser grande compradora dos cartéis colombianos e bolivianos, a máfia nigeriana tem crédito com os barões das drogas e exige cocaína de alta qualidade.Os nigerianos ganharam a confiança dos traficantes brasileiros e estão deixando no País parte da droga comprada para ser distribuída no exterior.EstrangeirosPor causa da máfia nigeriana, a polícia tem detido, quase todas as semanas, estrangeiros embarcando com drogas no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.Este ano, o Denarc já prendeu 21 estrangeiros que pretendiam sair do País com quase 200 quilos de cocaína.Nesta quarta-feira à noite, o sul-africano Hardy Henry Richter embarcava para Johannesburgo, levando 3,5 quilos de cocaína presos ao corpo, quando foi preso pelos policiais do Denarc.Ao ser detido, contou que fora contratado pela máfia nigeriana na Holanda, para vir ao Brasil e levar a droga para o exterior. Entregaram a ele uma passagem de avião para São Paulo, o endereço do hotel onde deveria se hospedar e um número do telefone para contato.Richter chegou na segunda-feira. Nesta quarta, foi levado para uma casa, onde um nigeriano mandou-o vestir uma meia calça elástica, colocando pacotes com a cocaína dentro dela. O sul-africano informou aos policiais que está desempregado e a oferta de US$ 3 mil o levou a aceitar a proposta.Ele acreditava que teria êxito em deixar o País. ?Eles disseram que estava tudo acertado e que o embarque ocorreria sem problemas.?

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