Máfia queria fazer lobby com deputados para aprovar loterias

Integrantes da máfia dos bingos tentaram fazer lobby com congressistas para a aprovação de leis pró-loterias no Congresso. Inquérito da Polícia Federal que deu origem à Operação Hurricane (furacão, em inglês) mostra a tentativa da organização em conseguir a aprovação de um projeto que autoriza Estados a explorar loterias, segundo a apuração da polícia. A investigação da PF flagrou ainda uma reunião da cúpula dos jogos de azar, no Rio, na casa do presidente da Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abraão David. No encontro, esteve presente, segundo a apuração da PF, o deputado Simão Sessim (PP-RJ). Sessim é primo de Aniz e nega ter sido procurado por bingueiros para legislar em favor do grupo. A reunião da organização ocorreu na casa de Aniz, em Copacabana, no dia 12 de março. O encontro foi realizado três dias antes de o projeto que autoriza os Estados a explorar loterias ter sido enviado ao plenário da Câmara, no dia 15 do mês passado. O projeto já havia sido aprovado pelo Senado no dia 8 de fevereiro. Na investigação, a PF também detectou que às vésperas da votação do projeto no Senado, Aniz pediu a um de seus funcionários que entrasse em contato com o primo Sessim e com um senador. Os números fornecidos foram checados pela PF e são do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), segundo relata a investigação. No inquérito da PF, não há registros de conversas entre o senador ou o deputado com envolvidos no esquema. No dia 8, no horário da votação, inclusive Dornelles não estava em Brasília, segundo informou a assessoria do pepebista. Ontem, ele não foi localizado pelo Estado para comentar o assunto. Sessim também foi procurado pela reportagem durante a tarde de ontem, mas não retornou aos telefonemas. Em seu gabinete em Brasília, a informação é de que o deputado estava no Rio desde quinta-feira. No inquérito da PF que deu origem à Operação Hurricane, há imagens que mostram um carro registrado em nome de Sessim entrando e saindo da garagem da casa de Aniz, no Rio, no dia 12. Na mesma data, segundo a investigação, outros nomes ligados ao jogo do bicho também entraram e saíram da casa de Aniz. Pró-bingos Parlamentares ouvidos pela reportagem do Estado confirmaram que Sessim nunca escondeu ser representante dos interesses dos bingueiros no Congresso. ?Ele sempre defendeu abertamente a legalização dos jogos de azar?, afirmou um deputado que preferiu não se identificar. Outro parlamentar também destacou a atuação do pepebista em prol dos bingueiros. ?Abertamente, o único que legislava em prol dos empresários de jogos era o Sessim?, comentou.

Agencia Estado,

20 Abril 2007 | 20h30

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.