Máfia vende documentos falsos a bolivianos

Todos os dias, cerca de 250 bolivianos comparecem à sede da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste de São Paulo, carregando uma pastinha cheia daquela papelada exigida para a obtenção do visto de permanência no Brasil. Ainda assim, muitos voltam para casa sem conseguir dar entrada em seu processo de regularização. O motivo é a falta de comprovantes de residência fixa e trabalho. Entre os imigrantes, essa dificuldade já criou um mercado de compra e venda de contas de luz e holerites falsos.Desde 2005, um acordo firmado entre os governos dos dois países garantiu aos bolivianos, que chegaram no Brasil até 15 de agosto de 2005, a possibilidade de obter um visto de permanência. A medida tem como objetivo atacar a exploração da mão-de-obra barata de quem vive clandestinamente no País.A estimativa é que mais de 100 mil bolivianos estejam em situação ilegal - metade deles trabalhando em um regime de semi-escravidão. Os imigrantes costumam fazer turnos de 16 horas em confecções nos bairros do Brás, Pari e Bom Retiro. Eles moram nas fábricas em que atuam e precisam pagar água, luz e comida para o patrão. Assim, acabam trabalhando apenas para quitar suas dívidas com seus empregadores.A reportagem do Jornal da Tarde apurou que são os próprios compatriotas que vendem contas de luz ou holerites adulterados por até R$ 50. Alguns oferecem esses serviços ao redor da sede da PF."Se eu conseguir regularizar minha situação, posso ter uma carteira de trabalho, me sindicalizar, ter plano de saúde, tirar cheque e ter todos os direitos que um brasileiro comum pode ter", afirmou um boliviano, de 22 anos, que trabalha em uma confecção no Bom Retiro.Segundo Paulo Illes, coordenador do Centro Nacional de Apoio ao Migrante, muitas falsificações são grosseiras e facilmente identificadas. A Polícia Federal admite que tentativas de burlar as regras de migração podem acontecer, mas crê que os casos estão sendo coibidos. O prazo para a regularização vai até 13 de setembro.

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