Em um país com mais de 1.700 apátridas, Maha virou embaixadora informal da ONU

São Paulo concentra mais da metade dos apátridas do país

Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2016 | 04h00

Nos últimos meses, além de comprar e vender açúcar, búfalos, vacas, carneiros e aves e fazer novos amigos, Maha Mamo também faz palestras contra a apatridia. Embaixadora informal do programa IBelong, criado pelo Alto Comissariado para Refugiados da ONU (Acnur) para combater a apatridia, ela foi, em setembro para Puerto Espanha, no Caribe, defender o reconhecimento dos sem pátria em países da América.

“Maha é colaboradora importante para a campanha que iniciamos há três anos para tentar mudar as leis e facilitar a aceitação dos apátridas”, disse Luiz Fernando Godinho, do Acnur em Brasília. No ambiente da reconstrução da Europa, no pós-guerra, o Brasil assinou a Convenção de 1951, depois reforçada em 1954 e em 1961. O País tem legislação avançada para cidadãos estrangeiros que precisam de refúgio, diz Godinho. O mesmo, porém, não ocorre com a apatridia. A campanha da ONU quer reduzir o número de apátridas em dez anos. E o Acnur conta com a jovem. Maha agora se prepara para ir a Quito (Equador) defender sua bandeira. E, desde já, sabe que, mais uma vez, poderá passar horas e horas na burocracia da alfândega.

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