Maia e Garotinho brigam e projetos são adiados no RJ

A briga política do prefeito do Rio, César Maia, com o secretário de Segurança, Anthony Garotinho, que provocou o cancelamento do repasse de R$ 100 milhões da prefeitura para o Estado, tem a eleição municipal do ano que vem como motivo e acirrou-se ontem com novas acusações. A verba seria dada em troca dos terrenos onde fica o Complexo Penitenciário Frei Caneca, no Estácio, bairro decadente do centro da cidade, para o qual há planos de reurbanização desde os anos 80. Com ela, o Estado construiria novos presídios fora da cidade e reequiparia a polícia. Enquanto os dois lados não se entenderem, os projetos ficam adiados.BrigasHoje, a poucas horas de embarcar para a Espanha, onde participará de um encontro da Interpol, Garotinho usou seu programa de rádio para chamar Maia de mentiroso e acusá-lo de ofender sua família. Na sexta-feira, o prefeito dissera que o secretário humilha a governadora do Estado, Rosinha Garotinho, com quem é casado. Ela também participou do programa e rebateu as acusações, como havia feito uma hora antes, no programa que mantém em outra emissora. Garotinho negou ter brigado com Maia. "Eu apenas disse que a prefeitura não deu dinheiro nenhum para a segurança pública", defendeu-se. "O senhor podia mostrar que deu. O povo do Rio não quer um prefeito que brigue com a governadora, que se negue a ajudar a segurança das pessoas." Cesar Maia respondeu dizendo que Garotinho manteve seu estilo de provocar para ter mídia com a repercussão. A briga havia começado no meio da semana, quando o secretário acusou o prefeito de não ter liberado nenhuma parcela da verba prometida em junho para investimentos em segurança. A reação de Cesar foi cancelar a promessa e acusar o Garotinho de deter o poder no governo do qual a mulher é a titular. Já no início do programa, no entanto, Garotinho deixou evidente que a briga é eleitoral. "Eu espero que o prefeito faça agora (o que prometeu) porque a Rosinha ainda tem três anos para fazer e ele só tem mais um como prefeito", lembrou o secretário, embora Maia seja candidato à reeleição. "Se ele não fizer agora, o próximo prefeito fará. O povo quer um prefeito que tenha entrosamento com o governo do Estado."

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