Maia promete decidir sobre convocação de ministro na terça

Em ação combinada com governistas, presidente da Câmara decidiu suspender decisão da Comissão de Agricultura

Denise Madueño e Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2011 | 00h00

Depois de duas semanas de tentativas, os partidos de oposição conseguiram aprovar a convocação de Antonio Palocci para explicar na Câmara a multiplicação de seu patrimônio e suposto tráfico de influência praticado por sua empresa, a Projeto. No início da noite, em uma ação combinada com os governistas, o presidente da Casa, Marco Maia (PT), decidiu suspender a decisão da Comissão de Agricultura, onde foi aprovado o requerimento, até a próxima terça-feira, quando dará a palavra final.

Até lá, Palocci ficará exposto a um crescente desgaste político. A aprovação da convocação ocorre um dia após senadores do PT terem cobrado explicações do ministro e do aumento do incômodo de petistas e aliados pela ausência de respostas às denúncias.

Antes de decidir pela suspensão, Marco Maia foi pressionado por parte da base que queria a anulação imediata da convocação. Houve um temor, no entanto, de que a oposição poderia conseguir uma liminar no Supremo Tribunal Federal validando a decisão da comissão. "Optei por tomar uma decisão equilibrada", disse Maia.

Até semana que vem, ele pretende analisar as imagens, as notas taquigráficas e ouvir integrantes da Agricultura sobre a votação. Os governistas reuniram 30 assinaturas do total de 40 membros da comissão a favor da anulação da convocação.

Confusão. Com número suficiente para derrubar o requerimento, os governistas agiram de forma confusa e demoraram a perceber a estratégia da oposição na comissão, comandada pelo deputado Lira Maia (DEM). Na reunião da comissão, líderes do governo contabilizavam 28 votos, mas a votação simbólica não revelou essa maioria.

O próprio líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT), que no momento da votação estava ao lado de Palocci, no Palácio do Planalto, afirmou que viu, mais tarde, pelas imagens da TV Câmara, 14 votos contra o requerimento. Na votação simbólica, o resultado é avaliado visualmente e proclamado pelo presidente.

Na reunião, alguns governistas demoraram se manifestar contrariamente ao requerimento, quando o presidente anunciou a votação: "Deputados favoráveis ao requerimento permaneçam como estão". O presidente, oito segundos depois, proclamou a aprovação da convocação.

Sem se conformar com a aprovação do requerimento, governistas exigiram nova votação. Depois de tumultos e reuniões, Lira Maia manteve a decisão. "Ele anunciou um resultado que não existiu. Ele mentiu. É uma atitude ditatorial", protestou o deputado Bonh Gass (PT).

O governo classificou a aprovação na comissão de "golpe" e de "fraude". Vaccarezza não reconheceu a votação. "Ele (Palocci) não irá a comissão, porque a comissão não aprovou a convocação", disse.

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