Maior chacina do ano deixa 8 mortos

Vítimas foram executadas a tiros em um bar de Ribeirão Pires; polícia acredita em vingança de criminosos

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2017 | 00h00

Oito homens foram executados com vários tiros, no sábado à noite, dentro de um bar no bairro da Quarta Divisão, em Ribeirão Pires, cidade do ABC paulista. Outras três pessoas também ficaram feridas na maior chacina do ano no Estado. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime estaria ligado a uma ação da Polícia Militar num desmanche de carros roubados localizado no número 2.152 da Avenida Miro Atílio Peduce, bem próximo do bar. Na tarde de sábado, depois de receber uma denúncia anônima, os PMs invadiram o estabelecimento irregular de venda de peças de carros roubados. Três pessoas acabaram presas em flagrante. De acordo com a polícia, alguém denunciou a existência do desmanche. Nesse caso, as execuções teriam sido motivadas por vingança. O calibre de uma das armas usadas na chacina de sábado, uma pistola 9 milímetros de uso exclusivo das Forças Armadas e da Polícia Militar, também já tem "histórico" na Quarta Divisão. Há registros de pelo menos três homicídios com o mesmo tipo de pistola nesse bairro de Ribeirão Pires. Existe ainda a especulação de que a arma seja alugada para ações criminosas. A polícia do ABC trabalha com a informação de que três dos oito mortos teriam envolvimento com o tráfico de drogas; um deles também estaria envolvido com máquinas caça-níqueis. Segundo moradores do bairro, o alvo das execuções seria Reinaldo Teodoro de Souza, conhecido como dono de um ponto-de-venda de drogas. Ele e outros três homens tinham passagem criminal. "Há um mistério na minha cabeça", disse o delegado titular da Delegacia de Ribeirão Pires, Augusto Farias. "Por isso, não posso dar certeza de que a motivação foi a droga." O bairro da Quarta Divisão não é um local com retrospecto de base de narcotráfico. Mas sua proximidade com a zona leste da capital o transforma em esconderijo de criminosos. Também é de fácil acesso para quem vai à Baixada Santista. NINJAS O crime foi praticado por quatro homens que chegaram a pé ao bar. Dois deles estavam com toucas ninjas para esconder os rostos. Morreram no local Reinaldo Teodoro de Souza, de 43 anos; José Francisco de Melo, de 41; Richard Dênis Guarizzo, de 36; Edinei Paulo Gonçalves, de 35; Alessandro da Silva Nunes, de 27; Marcos Luiz da Silva, de 23; e Denizar Marcelino Barbosa, de 22. Bruno Ramos Firmino, de 16 anos, chegou a ser levado ao hospital, onde morreu ontem à tarde. Havia cerca de 15 pessoas no bar no momento dos disparos. Segundo os vizinhos, os bandidos teriam dito que só as mulheres seriam poupadas. Duas delas estavam na cozinha, quando um rapaz chegou gritando e pediu para que se jogassem no chão. Pelo menos quatro dos homens assassinados estavam no bar por acaso e não eram alvo dos criminosos. FAMÍLIA "Meu sobrinho não devia nada a ninguém. Ele foi morto injustamente. Estava junto com o irmão. Nem a polícia sabe o que aconteceu", disse uma mulher que não quis se identificar, na tarde de ontem, no Instituto Médico Legal (IML) de Santo André, para onde foram levados os corpos. Ela se referia a Marcos Luiz da Silva e se mostrava visivelmente transtornada. Outros parentes se recusaram a falar com a imprensa no IML e nos cemitérios de Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, onde as vítimas foram sepultadas ontem. COLABORARAM NAIANA OSCAR e SHAONNY TAKAIAMA

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