Maior parte das tragédias tem pelo menos 4 causas

Em 10 anos, 82,7% dos 2.283 fatores de acidentes tinham alguma relação com falha humana

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2029 | 00h00

As investigações sobre acidentes aéreos no Brasil apontam para a existência de quatro principais causas em cada desastre ocorrido nos últimos dez anos. O último levantamento feito pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) lista 629 casos que tiveram 2.283 fatores que contribuíram para os acidentes. Falhas humanas são as principais causas dos desastres: 82,7% das 2.283 causas apontadas pelo Cenipa tinham alguma relação com quem estava diretamente envolvido no vôo, como pilotos, controladores de vôo ou mecânicos. " O fator humano é o maior problema da atividade aérea", contou o brigadeiro Renato Cláudio Costa Pereira, ex-secretário-geral da Organização da Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês). Entre as falhas humanas, as cinco principais foram classificadas como "deficiência de julgamento, de supervisão e planejamento, aspectos psicológicos e indisciplina no vôo". No item deficiência de julgamento (13,9% do total das causas) entram, por exemplo, os casos de erros de avaliação dos pilotos. "É quando o piloto pensa que pode pousar numa pista com chuva e pequena em vez de arremeter", explicou o brigadeiro. A deficiência de supervisão (13,3% das causas) inclui erros cometidos pelo controle de tráfego aéreo, como os identificados na colisão do Boeing da Gol com o jato Legacy, em 29 de setembro, que deixou 154 mortos. Já o planejamento malfeito envolve planos de vôo elaborados sem cuidado ou quando o piloto decola sem o combustível necessário para cumprir o trajeto. "Entre os aspectos psicológicos estão a personalidade dos pilotos, como no caso do DC-8 da Panair do Brasil que atravessou a pista do Aeroporto do Galeão e foi parar no mar", disse Pereira. No desastre, em agosto de 1962, morreram 15 dos 105 ocupantes do avião. O Cenipa lista também deficiências de aplicação de comandos, de instrução e de coordenação de cabine. Há até casos em que o "esquecimento" foi apontado como fator importante para explicar o acidente. Quando a falha não é humana - 17,3% do total -, o que aparece em primeiro lugar é a manutenção deficiente (4,8%). Segundo o Cenipa, isso não significa erro do mecânico, mas o não cumprimento das normas de revisão das aeronaves. Logo a seguir vêm as condições meteorológicas (4,3%) e a influência do meio ambiente (2,9%). "A maioria desses acidentes ocorre na aviação agrícola, menos sujeita à fiscalização e sem a devida preocupação com a manutenção das aeronaves", disse o brigadeiro.

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