Maioria dos diretórios defende candidatura

De olho nas eleições locais, seções do PSB em pelo menos 14 Estados são favoráveis a ter Ciro Gomes como candidato próprio à Presidência

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2010 | 00h00

Expectativa de crescimento do partido. Este é o argumento-chave apresentado pelos defensores no PSB da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Além disso, pelo menos 14 Diretórios Estaduais do partido são favoráveis à candidatura própria, de olho nas eleições locais.

É o caso do Amazonas e da Paraíba. Nesses dois Estados, as alianças regionais dificultam as condições para que os candidatos do PSB subam no palanque da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. Daí, a pressão para que Ciro se lance na corrida presidencial.

A cúpula do partido é, no entanto, majoritariamente contra a candidatura do deputado. A começar pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, candidato à reeleição ao governo de Pernambuco e interessado em garantir o apoio do PT.

Contas. A avaliação é de que o PSB conquistará, pelo menos, 10% dos votos do eleitorado brasileiro se disputar a Presidência da República. "Para nós, 10% dos votos do eleitorado significa elegermos mais de 50 deputados federais", argumenta o presidente do PSB de São Paulo, deputado Marcio França, um dos principais entusiastas da candidatura presidencial de Ciro dentro do partido.

Em 2002, Marcio França foi o coordenador da campanha de Anthony Garotinho à Presidência da República. "Antes da candidatura de Garotinho, o PSB tinha 3,5% dos votos do eleitorado brasileiro. Saímos da eleição com 6% dos votos", conta França. É bem verdade que o ex-governador do Rio conseguiu encorpar seus votos com o apoio decisivo da igreja evangélica.

Manobra. Com uma candidatura praticamente solo, restrita a alianças com partidos nanicos, Garotinho também se valeu de uma brecha da legislação eleitoral na época e usou a seu bel prazer o tempo de televisão destinado aos candidatos do PSB nos Estados. "Fizemos uma jogada que hoje é proibida: lançamos candidatos ao governo em todos os Estados e o Garotinho aparecia ao lado deles nos programas", lembra França. Sem poder contar com esse recurso na eleição deste ano, o tempo de exposição de um candidato presidencial isolado na TV seria sensivelmente menor.

Estrutura. Já os críticos da candidatura Ciro alegam que deputado não conta com apoio financeiro nem estrutura de grupos organizados à sua volta. "Tivemos essa experiência de crescimento da bancada do PSB em 2002. Foi uma experiência muito boa, uma oportunidade para firmar a identidade do partido", observa o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. "Mas temos de ter uma candidatura para disputar e para isso não basta a decisão burocrática de lançar um candidato."

Amaral foi um dos mais ferrenhos defensores da candidatura de Ciro à Presidência, mas mudou de lado diante da falta de estrutura e hoje é contra a entrada do PSB na corrida presidencial. Ele resume assim sua posição: "Time que não joga não tem torcida. Mas time que perde de goleada também fica sem torcida."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.