Maioria dos homicídios concentra-se no interior do País

As mortes por homicídios no Brasil concentram-se em 556 de 5.560 municípios brasileiros, em cerca de 10% das cidades do País, afirmou um estudo elaborado pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) com apoio do Ministério da Saúde. Segundo a pesquisa, as mortes violentas estão se deslocando das capitais para o interior do País. A campeã brasileira na taxa de mortes por 100 mil habitantes chama-se Colniza, fica no Mato Grosso, próxima às divisas com Rondônia e Amazonas. Criado há apenas nove anos, o município tem cerca de 13 mil habitantes e mais de 20 assassinatos por ano nos últimos três anos - o que chega a uma taxa de 165 mortes por 100 mil habitantes. O estudo levantou os 10% dos municípios brasileiros que têm as maiores taxas de homicídios. São 556 cidades que concentram 71,8% dos assassinatos ocorridos no País em 2004 (último ano com dados consolidados). Da primeira, Colniza, até a 556ª - Nova América, em Goiás, - a taxa baixa dos 165 por 100 mil para 29,8 por 100 mil. Mas, ainda assim, todas estão dentro da faixa que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) considera de "ruptura total dos mecanismos de segurança pública", quando a população não confia mais que possa contar com a polícia para resolver seus problemas. Ao contrário do que normalmente se espera, o mapa dos municípios não concentra essa situação apenas nas zonas metropolitanas, em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo. Apesar dessas regiões ainda estarem entre as mais violentas do País, em vários casos perdem para municípios pequenos que, aparentemente, não teriam razões para tantas mortes. É o caso de Colniza e boa parte dos 10 municípios mais violentos do País. Nessa lista não está nenhuma capital e, entre os 10, apenas Serra (ES) e Ilha de Itamaracá (PE) figuram em áreas metropolitanas. Estão nas áreas de fronteira e, principalmente, do arco do desmatamento da Amazônia alguns dos lugares mais violentos do País. Assim como Colniza, Juruena, São José do Xingu e Aripuanã, todos no Mato Grosso e Tailândia (PA) fazem parte da mais nova fronteira agrícola do País onde ainda impera uma impressão de terra sem lei. Foz do Iguaçu (PR) e Coronel Sapucaia (MS) estão em regiões de fronteira onde tráfico e contrabando fazem parte da realidade. Capitais Apesar da violência crescente nas terras escondidas do Brasil, as taxas de homicídios nas grandes cidades não podem ser esquecidas. Apenas sete capitais não aparecem na lista de 10% mais violentas do País e as áreas metropolitanas de boa parte dos Estados têm situações preocupantes. É o caso do Rio de Janeiro, Pernambuco e Espírito Santo. Realizado desde 1998, o Mapa da Violência do Brasil - que não incluía o recorte por municípios - já apontava Pernambuco e Espírito Santo como os dois Estados mais violentos do País. O levantamento municipal mostra agora que 45,4% das cidades pernambucanas estão na lista das mais violentas, incluindo Recife e sua zona metropolitana. No Rio de Janeiro, 44,6% das cidades estão na lista. Matéria ampliada às 14h21

Agencia Estado,

27 Fevereiro 2007 | 13h58

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.