AP/Andre Penner
AP/Andre Penner

Mais 17 presos de Manaus são transferidos para unidades federais

Investigações apontam disputas na cúpula da facção criminosa Família do Norte

Redação, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2019 | 00h16

Mais 17 presos foram transferidos de unidades prisionais do Amazonas para presídios federais. Ao todo, 26 detentos deixaram a cidade de Manaus após serem identificados como líderes de grupos criminosos. As transferências ocorrem após as mortes de 55 presos em quatro prisões da capital amazonense. 

A medida atende a uma solicitação do governo do Amazonas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. De acordo com o governo estadual, as primeiras nove transferências ocorreram na terça-feira, 28, quando foram realocados detentos identificados como uma ameaça à ordem.

"Os locais para onde os presos serão transferidos ficam a cargo do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Para serem transferidos, os detentos devem atender a requisitos técnicos e jurídicos, somados aos dados de inteligência que comprovem a necessidade do envio dos mesmos para estabilizar o sistema", informou, em nota o governo do Amazonas. 

Segundo o Estado, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) tenta desarticular a ação de grupos criminosos no sistema prisional. Investigações apontam que as mortes ocorridas entre domingo e segunda-feira foram causadas por uma briga interna na facção criminosa Família do Norte (FDN).

A facção, a terceira maior do País, controla a rota de escoamento de cocaína pelo Rio Solimões. Em 2017, quando houve um massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), com 56 mortes, os ataques foram associados à guerra entre a FDN e o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista que tentava ampliar seus negócios na Região Norte. 

Agora, a hipótese é de que lideranças da cúpula da FDN tenham se enfrentado. Um "salve geral", mensagem de 1,6 mil palavras enviada a criminosos dentro dos presídios, indica o racha na facção e disputas de duas lideranças: João Branco e José Roberto Fernandes, o Zé Roberto da Compensa.

 

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