Mais 2 traficantes são ''rejeitados'' pelo Rio

Aldair da Mangueira e Ronaldinho Tabajara estão no presídio federal de MS

Pedro Dantas e Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

01 Agosto 2009 | 00h00

O juiz Rafael Estrela Nóbrega, da Vara de Execuções Penais do Rio, determinou ontem à noite a permanência dos presos Aldair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira, e Ronaldo Pinto Lima e Silva, o Ronaldinho Tabajara, na Penitenciária Federal de Campo Grande, por 180 dias, prazo que poderá ser renovado. A determinação atendeu a pedido do governo e do Ministério Público fluminenses, em razão de a Justiça Federal ter revogado decisão anterior que aprovara a transferência provisória dos traficantes para o Rio. A mudança de Estado havia sido determinada pelo juiz da 5ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, Dalton Kita Conrado. Ele afirmou que os sentenciados estão no presídio "em caráter emergencial" há quase um ano. Aldair e Ronaldinho foram para Campo Grande após o assassinato do diretor do presídio Bangu 1, o tenente-coronel José Roberto Lourenço, em outubro. Ao todo, dez integrantes do Comando Vermelho presos fora do Estado e que já cumpriram 1/6 da pena esperam para voltar a presídios do Rio. "Embora haja o esforço dos agentes estatais, as facções criminosas ainda assim conseguem comandar seus atos de dentro das unidades prisionais, pondo em risco a própria segurança interna dos presídios como também de toda a coletividade", escreveu Nóbrega. Na noite de terça-feira, a Justiça do Rio mandou de volta, do Aeroporto Santos Dumont, três traficantes que a Justiça Federal do Paraná enviou. Os juízes se acusaram por falta de informações sobre o caso. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) acatou pedido do Rio sobre conflito de competência e decidiu que os presos ficariam em Catanduvas (PR) até a decisão sobre qual tribunal julgará os benefícios dos condenados. Os traficantes seguem caminho jurídico de Charles Batista, o Charles do Lixão, que conseguiu voltar de Catanduvas e pediu o benefício da Visita Periódica ao Lar (VPL). Batista está desde o dia 24 no Presídio Vicente Piragibe. Além da acusação de tráfico, ele é apontado como um dos mandantes do assassinato da diretora de Bangu 1, Sidneya de Jesus, em 2000. Os juízes federais do Paraná afirmam que a permanência de presos do Rio em presídios federais beira a ilegalidade. "Não há sequer uma acusação formal sobre o que motivou a transferência", afirmou o juiz da Seção de Execução Penal de Catanduvas, Sérgio Moro. Segundo ele, a Justiça paranaense começará a apreciar casos como o de Marcos Vinícius da Silva, o Lambari, chefe do tráfico no Jacarezinho, e dos três barrados no Rio na terça: Ricardo Lima, o Fu do Zinco, condenado a 89 anos de prisão; Marco Firmino, o My Thor, que pegou 27, e Isaías Rodrigues, o Isaías do Borel, sentenciado a 36. Eles foram julgados por homicídio e tráfico.

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