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Mais 25 vítimas devem ser pré-identificadas hoje

?Pedi à minha equipe que tratasse os corpos como se fossem filhos?, disse piloto de helicóptero de resgate

Angela Lacerda, FERNANDO DE NORONHA, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

"A orientação que passei para minha equipe é que tratassem aqueles corpos como se fossem seus filhos." A afirmação é do piloto do helicóptero H-60 Black Hawk da FAB, major Marcelo de Moura Silva, encarregado de fazer o traslado dos corpos de vítimas resgatados do voo 447 da Air France até o Arquipélago de Fernando de Noronha, onde é feita a pré-identificação por peritos das Polícias Federal e Civil de Pernambuco. Os helicópteros Black Hawk e H-34 Super Puma realizaram anteontem o transporte dos primeiros 16 corpos, trazidos da área de resgate - a cerca de 850 quilômetros de Noronha - pela Fragata Constituição da Marinha. Hoje, o mesmo procedimento deve ser repetido com os outros 25 corpos encontrados, que estão sendo transportados pela Fragata Bosísio. "É uma honra participar dessa operação, pela oportunidade de trazer de volta a essas famílias alguns dos que foram encontrados, em um momento tão difícil para cada um deles", afirmou o major Moura, do 7º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação, com sede em Manaus há dez anos. Com 21 anos de profissão, ele disse ter sido a primeira vez que participou de "uma operação desse porte em ambiente marítimo".Sua equipe, composta de um copiloto, dois mecânicos e três homens de resgate, não teve, segundo ele, dificuldade operacional no procedimento. "A maior dificuldade é fazer o transporte dos corpos e saber que aquelas pessoas, infelizmente, não estão mais entre nós", avaliou. "É uma missão que temos de cumprir para trazer um pouco de tranquilidade para as famílias."O comandante da aeronave disse que ele e a tripulação sempre tiveram a esperança de resgatar sobreviventes. "Quando a missão se transforma nesse tipo de resgate, fazemos da mesma forma, com o mesmo profissionalismo", avaliou, ao lembrar que "muitos corpos ficaram no mar". "É uma missão dolorosa para todos, mas necessária."O trabalho do Black Hawk na manhã de anteontem, na Fragata Constituição, que se encontrava a 55 quilômetros de Noronha, consistiu dos seguintes passos: inicialmente foram baixados os homens de resgate para fazer a preparação dos corpos, o que durou entre 40 e 50 minutos. Em seguida os corpos foram içados de um em um ou de dois em dois, dependendo da situação e, quando todos estavam a bordo, o helicóptero retornou a Noronha. O mesmo procedimento deve ser repetido hoje na Bosísio. Ele não adiantou como será o traslado, mas informou que o Black Hawk tem capacidade para transportar oito corpos por vez.

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